Política

Duelo do 7/9 traz Flávio no ataque e Lula na defesa

No duelo proposto pela oposição para este 7 de Setembro, os dois principais rivais na corrida presidencial fizeram apostas distintas usando o mesmo material: a crise institucional envolvendo o STF (Supremo Tribunal Federal).

Enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) foi ao ataque, Lula (PT) contentou-se com uma fotografia oficial que tem lá sua importância simbólica, mas sugere uma atitude defensiva. Resta saber qual será o impacto nas próximas pesquisas eleitorais.

Como está decantado, Flávio torceu o noticiário negativo em relação ao escândalo do Banco Master, do qual é personagem ativo como uma das pessoas que pedia dinheiro e chamava o ex-controlador da instituição Daniel Vorcaro de “meu irmão”.

Com a eclosão do caso das mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes, nêmesis do bolsonarismo, e Vorcaro, o senador jogou tudo na ojeriza que o magistrado causa em sua base. Uniu um “fora Lula” a um “fora Moraes” na largada do discurso na avenida Paulista.

É pregação para convertidos, e o presumido conhecimento do patrono ideológico Silas Malafaia acerca do Novo Testamento e das palavras de Jesus sobre a hipocrisia dos fariseus ficou de lado. Se irá capturar indecisos ou pendulares, é algo a ver.

Sem um mote claro de campanha senão o sobrenome, Flávio achou na crise protagonizada por Moraes e seu adversário na corte André Mendonça um norte discursivo. O senador foi ao ataque, ironias à parte dada sua condição de vidraça óbvia.

Como sabe dela, fez “hedge” ao dizer que os apoiadores deveriam esperar a “terceira facada”, em referência às duas que o pai sofreu na sua visão: a real, em 2018, e a prisão de 2025. Vem vídeo ou áudio com Vorcaro por aí.

Mendonça, cujas ações energizaram o bolsonarismo, virou herói de oradores ainda menos contidos do que o presidenciável, o digitalmente popular deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) à frente.

A exceção ficou a cargo do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), que emprestou o prestígio de quem está mirando uma reeleição em primeiro turno e a Presidência em 2030 ao evento: sua fala foi bem mais ponderada.

Nota lateral, mas nem tanto, Flávio fez uma apropriação de slogans associados à esquerda. Iniciou sua fala com um “primeiramente, fora Lula e fora Moraes”, remetendo ao bordão que acompanhou Michel Temer (MDB) após a queda de Dilma Rousseff (PT).

Depois falou que “vai ter Bolsonaro Presidência, sim”, outra formulação esquerdista. Até o jingle final do evento tinha o barulho da urna eletrônica, como que beijando a cruz democrática sobre a qual o pai do candidato cuspiu, ato repetido e renegado por Flávio.

Se no 7 de Setembro de 2025 havia um bandeirão americano na Paulista, desta vez o organizador Malafaia restringiu a profissão de fé dos seguidores. Havia um pixuleco de Donald Trump segurando a versão original de Lula e uns estandartes aqui e ali, mas o tom era verde e amarelo.

Lula, por sua vez, resgatou essa fraqueza adversária no evento oficial em Brasília. Enquanto as tropas passavam, havia uma exaltação à soberania nacional acima do desfile.

O problema para ele é que a tática, que funcionou bem e lhe recuperou boa avaliação no ano passado, até aqui não surtiu efeito segundo o Datafolha.

Talvez mais grave era a imagem. Um presidente no comando formal de um desfile militar sempre transparece autoridade, mas o recorte do palanque ao lado dos presidentes Davi Alcolumbre (Senado), Hugo Motta (Câmara) e Edson Fachin (Supremo) sugeria uma busca por proteção institucional.

Nesse contexto, o petista passou um recibo de que a crise do STF, na qual sua aliança que agora renega com Moraes pesa, o acuou. Na comparação com Flávio, de resto alguém enrolado com Vorcaro, passou fraqueza.

Outros candidatos, como a novidade em terceiro lugar nas pesquisas Augusto Cury (Avante), também usaram o STF nesta segunda-feira. Mas, dada a amplitude do tema para Lula e Flávio, é incerto que tenham logrado sucesso em capitalizar a crise.

Folha de São Paulo

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