Política

A estratégia por trás do novo capítulo de Flávio e Michelle, segundo cientista político

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O pedido público de desculpas feito por Flávio Bolsonaro à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro representa mais do que uma tentativa de pacificar divergências familiares. Na avaliação do cientista político Rafael Cortez, feita durante o programa Ponto de Vista, o gesto revela um esforço estratégico da campanha para recuperar segmentos do eleitorado nos quais o senador perdeu força nos últimos meses (este texto é um resumo do vídeo acima).

Segundo Cortez, a candidatura enfrenta dificuldades para manter unido não apenas o campo antipetista, mas também o próprio núcleo político da família Bolsonaro. “As pesquisas, historicamente, mostram que o elemento do gênero é um elemento que machuca as intenções de voto do Flávio.”

Por que Michelle se tornou peça central da campanha?

Para Cortez, a reconciliação busca atingir dois públicos considerados decisivos: mulheres e eleitores evangélicos. Segundo o cientista político, ambos os segmentos passaram a demonstrar maior resistência ao senador ao longo da pré-campanha, tornando Michelle um ativo político importante para a recuperação dessa base.

O programa também apresentou levantamento da Ativaweb Data Lab segundo o qual Michelle possui um índice de engajamento nas redes sociais cerca de quatro vezes superior ao de Flávio, apesar de reunir menos seguidores.

O pedido de desculpas responde às dificuldades da campanha?

Durante vídeo publicado nas redes sociais, Flávio reconheceu a importância política da ex-primeira-dama e pediu desculpas pelos atritos recentes. “Ninguém é perfeito. Eu não sou perfeito. E mais uma vez peço desculpas por alguns momentos que causaram desconforto.”

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Michelle respondeu afirmando que aceitava o gesto. “O nosso propósito pelo bem do povo sempre foi maior do que desentendimentos. Por isso aceito o seu pedido. Eu te desculpo.”

A campanha ainda consegue recuperar o eleitor perdido?

Na avaliação de Cortez, o armistício ocorre depois de uma sequência de episódios que desgastaram a candidatura, entre eles o caso Master, o vazamento de áudios e declarações de aliados que repercutiram negativamente.

Segundo o cientista político, apesar de uma leve recuperação recente nas pesquisas, o movimento mais relevante continua sendo a perda gradual de apoio observada desde maio.

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Para ele, a reconciliação pode servir para recuperar um eleitor que já fazia parte da base de Flávio, mas hoje se declara indeciso ou inclinado ao voto branco e nulo.

O cenário favorece Lula?

Para Cortez, um dos aspectos mais importantes das pesquisas é que a estabilidade das intenções de voto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva indica que as dificuldades enfrentadas por Flávio decorrem principalmente de problemas internos de sua campanha.

Na avaliação do cientista político, se o senador conseguir reconquistar parte desse eleitorado, a disputa presidencial poderá voltar a reproduzir um cenário competitivo semelhante ao de 2022. Caso contrário, a vantagem hoje observada para Lula tende a permanecer.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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