A preocupação de aliados de Flávio com ‘talento’ do senador de pular de uma crise para outra

Mergulhado em problemas nas últimas semanas, o pré-candidato do PL à presidência da República, Flávio Bolsonaro, demonstra dificuldades em sair das crises nas quais vem sendo inserido durante a pré-campanha.
Aliados do filho de Jair Bolsonaro estão preocupados com o “talento” do senador de pular de uma crise para a outra.
Temem também que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal adversário de Flávio nas urnas, explore ainda mais os episódios ao longo da disputa eleitoral.
A primeira grande dor de cabeça foi a revelação da relação entre o postulante do PL ao comando do Palácio do Planalto e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master.
O parlamentar deixou muitas lacunas em aberto sobre o seu envolvimento com o escândalo do Master, o que deve ser usado por Lula ao longo da campanha.
O pesadelo de Flávio escalou quando a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro fez um desabafo público, afirmando que o enteado a menosprezava e maltratava.
O barraco familiar veio à tona na semana passada e o pré-candidato do PL não soube conduzir a crise para debaixo do tapete.
Os desdobramentos foram tantos – como a saída de Michelle do comando do PL Mulher e a possibilidade de ela nem concorrer ao Senado colocada à mesa – que o governo nem precisou se mexer para que o novelão prejudicasse a imagem do adversário.
O mais novo problema para as pretensões eleitorais de Flávio surge da carta que ele encaminhou ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos em que pede o adiamento, por 180 dias, da aplicação, por parte do governo Trump, de novas tarifas contra exportações brasileiras.
Ele deixa claro que a aplicação das tarifas beneficiaria Lula às vésperas da eleição e deixa margem para interpretações que, se vencer a corrida presidencial, fechará um acordo que contemplará os Estados Unidos.
Lula reagiu imediatamente após o documento se tornar público, o classificando como “subserviente” aos interesses deDonald Trump, e “entreguista”.
Para aliados do parlamentar do PL, a carta desagrada eleitores independentes e joga no colo de Lula uma narrativa para atacar o rival.
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