Política

A uma semana da votação, Lula está diante dos piores cenários

O presidente Lula já desdenhou do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tachando-o de “o adversário dos sonhos” porque, segundo o petista, seria facilmente derrotado. Lula também já foi considerado o favorito na eleição deste ano, status que, faz algum tempo, não ostenta mais.

Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira 24 mostrou o candidato à reeleição e seu principal rival empatados tecnicamente na simulação de segundo turno: 47% para o presidente e 45% para o filho mais velho de Jair Bolsonaro. Esse equilíbrio tem sido uma constante nos levantamentos.

A novidade nas sondagens mais recentes, como reforçou o Datafolha, é o acirramento da disputa na simulação de primeiro turno, em que Lula tem 40% e Flávio Bolsonaro 36%. Como a margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, os dois também estão em situação de empate.

Em 2022, a dez dias do primeiro turno, a vantagem de Lula sobre Jair Bolsonaro era de catorze pontos, mas o capitão, ao contrário de seu primogênito, tinha a máquina pública nas mãos, o que lhe ajudava a ganhar terreno no eleitorado.

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Quando as urnas foram apuradas, a diferença a favor do petista no primeiro turno foi de apenas cinco pontos. A direita, portanto, demonstrou mais fôlego do que a esquerda às vésperas da votação. A dúvida, que gera apreensão entre os governistas, é se isso se repetirá em 2026.

Cenários preocupantes

Com três vitórias em corridas presidenciais no currículo, Lula sabe da importância de chegar ao segundo turno sem passar a impressão de que será derrotado. Para isso, ele tem de sair do primeiro turno com uma vantagem pelo menos igual à detectada pelo Datafolha: de quatro pontos.

Uma diferença menor deslocaria a perspectiva de poder — que hoje está no meio do caminho entre os dois candidatos — para o senador, o que impulsonaria a candidatura do Zero Um. Líderes do Centrão que optaram pela neutralidade na eleição estão se reaproximando de Flávio Bolsonaro e preparando um embarque na candidatura dele. Se esse movimento vai se concretizar, e em qual proporção, dependerá do resultado do próximo dia 4.

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Pressionado, Lula acelerou o anúncio de medidas de impacto eleitoral. Uma delas foi o reajuste de 15% no valor do Bolsa Família. No caso dos beneficiários do programa e dos mais pobres de uma forma geral, a meta do presidente é conquistar e consolidar apoios e — tão importante quanto — garantir que esses eleitores votem.

Em 2022, cerca de 20% da abstenção foi de cidadãos de baixa renda e baixa escolaridade. Dependendo da abstenção nesses grupos, não está descartada a possibilidade de Flávio Bolsonaro ficar em primeiro lugar até no primeiro turno, o que praticamente selaria o fracasso da candidatura de Lula à reeleição.

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O presidente está fazendo o que pode para evitar esse cenário. Na sexta-feira 25, ele anunciou a proibição das bets e uma nova rodada de renegociação de dívidas de pessoas físicas, numa tentativa de avançar entre os eleitores independentes, que fogem da polarização, estão mais preocupados com os problemas cotidianos e devem decidir o resultado das urnas.

O resultado do primeiro turno, que antes não preocupava tanto o PT, ganhou tanta importância que o presidente, além de acelerar o anúncio de ações eleitoreiras e populistas, agora cogita participar do debate na TV Globo, na noite da próxima quinta-feira, três dias antes da votação. Demorou, mas Lula finalmente desceu do salto alto.

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