Adversários de Tarcísio exploram tarifaço enquanto governador evita o tema

Os adversários de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo buscaram destacar os impactos do tarifaço de Donald Trump no estado nesta sexta-feira (17), em uma operação que contrastou com o silêncio do governador, que por ora evita comentar o assunto.
Toda a chapa de pré-candidatos da esquerda no estado — Fernando Haddad (PT) para governador, Márcio França (PSB) para vice, e Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) para o Senado — participou de um almoço em Catanduva (a 384 km de SP) com empresários do setor sucroenergético.
No encontro, foram discutidos os prejuízos para o setor. Segundo cálculo da pré-campanha de Haddad, em 11 usinas instaladas em um raio de 50 km do local, a sobretaxa poderia significar perda de US$ 460 milhões nas exportações de açúcar e álcool.
Já a pré-campanha de Tebet afirmou que, em 2024, a região de São José do Rio Preto (a 438 km de SP), por exemplo, exportou cerca de US$ 56 milhões para o mercado norte-americano e, desse total, aproximadamente US$ 11 milhões (cerca de 20%) estão ameaçados pela nova tarifa.
Nesta sexta, o governador esteve em um evento na Academia de Polícia Militar do Barro Branco, na zona norte da capital, mas saiu sem falar com a imprensa.
Desde que o tarifaço foi anunciado, na noite de quarta-feira (15), ele fez três publicações nas redes sociais — uma destacando obras na área de habitação, uma em que faz embaixadinhas com crianças e uma, feita com IA, em que uma versão dele em um desenho no estilo dos estúdios Pixar fala sobre melhorias no saneamento básico.
Durante entrevista coletiva na região de Araras (a 166 km de SP) no começo de junho, quando a possibilidade de aplicação de 25% de tarifas a produtos do Brasil pelos EUA começou a tomar forma, Tarcísio disse que via a possibilidade do tarifaço com “muita preocupação” e que as justificativas para a medida eram “sem sentido”.
Segundo a equipe do governador, Tarcísio não se pronunciará sobre o tarifaço por enquanto. Como a Folha mostrou, enquanto parte de seus auxiliares avaliam que o momento é de cautela, aliados bolsonaristas cobram que ele atue em linha com Flávio Bolsonaro (PL-SP), pré-candidato à Presidência.
Nas redes sociais, Flávio responsabiliza o governo Lula (PT) pela sobretaxação, criticando a diplomacia brasileira por não ter obtido êxito nas negociações com os EUA. O governo Lula culpa Flávio e sua família pela situação, destacando que os Bolsonaro são aliados de Trump. Tarcísio é o coordenador da campanha de Flávio em São Paulo.
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Folha de São Paulo



