Aliado de Ciro Gomes é alvo de operação que apura fraude em licitações no Ceará

O presidente da Câmara de Juazeiro do Norte, Felipe Vasques (PSDB), foi afastado do cargo nesta quarta-feira, 2, em razão da Operação Aletheia, que investiga desvios em licitações e cumpriu quinze mandados de busca e apreensão na cidade e na vizinha Barbalha, ambas cidades na região do Cariri. Além da perda temporária da função pública, o parlamentar foi alvo de ação de busca e apreensão, inclusive em sua residência, e quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático e foi proibido de manter contato com outros investigados.
O político é uma das principais apostas eleitorais do ex-governador Ciro Gomes (PSDB), que é candidato ao governo do estado em uma disputa apertada contra o governador Elmano de Freitas (PT). Em março deste ano, Ciro abonou pessoalmente a ficha de filiação de Vasques ao tucanato. “Estou agora num momento de grande alegria. Acabei de abonar a ficha de filiação desse campeão da nova geração que o Cariri produziu para o Ceará. O Cariri já sabe de perto o trabalho, o valor e a qualidade que esse homem tem de se dedicar a todos”, disse Ciro.
Após a operação, Vasques disse que “minha casa foi invadida” e atribuiu a ação contra ele às eleições. “Enxergo com preocupação o que considero uma perseguição política, mas não vou me intimidar. Minha defesa aguarda acesso integral aos autos e nossa caminhada seguirá firme, com tranquilidade e respeito à Justiça”, declarou o tucano em vídeo. “Quando chega nesse período eleitoral, as perseguições se intensificam”, afirmou.
Não é o que aponta o Ministério Público, no entanto. Segundo o Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), que liderou a operação, as investigações apuram suposto esquema de direcionamento de licitações, fraude em contratações públicas e desvio de recursos em contratos de obras e serviços de engenharia celebrados com o município de Juazeiro do Norte, em valor estimado superior a 43 milhões de reais”.
Ainda de acordo com o MP cearense, “os elementos reunidos até o momento, empresas formalmente distintas seriam, de fato, controladas por um mesmo núcleo, com a colocação de pessoas ligadas ao principal investigado em posições estratégicas para viabilizar o direcionamento de contratos, a manipulação de procedimentos licitatórios e o desvio de valores públicos, com o emprego de empresas de fachada e de pessoas interpostas para ocultar as práticas”.
Segundo o Ministério Público, além das buscas e quebras de sigilos bancário e fiscal, a Justiça deferiu o acesso a dados telemáticos e autorizou a extração do conteúdo dos dispositivos eletrônicos apreendidos, “medidas consideradas fundamentais para identificar outros participantes do esquema, esclarecer a dinâmica dos fatos e rastrear o destino dos recursos públicos supostamente desviados”.
As diligências alcançaram residências, sedes e endereços comerciais de pessoas físicas e jurídicas investigadas, visando à apreensão de aparelhos eletrônicos, documentos empresariais, contábeis e financeiros e outros elementos de interesse para o aprofundamento das apurações. A investigação apura, em tese, os crimes de fraude a licitações e contratações públicas, peculato e corrupção ativa e passiva.
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