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Aos 30 anos, Júlia Portes celebra virada após sucesso na Netflix: “Que bom que não desisti”

Entre páginas, palcos e telas, Júlia Portes (30) vem construindo sua trajetória artística. E, recentemente, essa história ganhou um novo capítulo — com ares até de divisor de águas. A atriz integrou o elenco de Emergência Radioativa, produção da Netflix que alcançou o primeiro lugar mundial entre as séries de língua não inglesa mais assistidas no streaming, o que pode representar a abertura de uma nova fase para ela. “A visibilidade é muito importante na carreira de uma atriz, porque a gente precisa que as pessoas chamem a gente para trabalhar, e só tem como nos chamar para trabalhar se conhecerem a gente. Então, nesse sentido, com certeza é uma grande virada de chave”, analisa a atriz, escritora e roteirista.

Júlia Portes. Foto: Elisa Maciel

Além do entretenimento

A artista fica feliz que esse reconhecimento venha por meio de uma obra que considera tão importante e necessária. Baseada em um incidente real com Césio-137 que afetou centenas de pessoas na década de 1980, em Goiânia, a produção lançou luz sobre uma tragédia até então desconhecida para muita gente. “Ainda mais no País em que a gente está, neste momento, com obras no Oscar falando de ditadura, a gente está recuperando momentos que são muito importantes para a gente não repetir e para conhecer a história do nosso País”, destaca ela, que gosta quando a ficção vai além do entretenimento. “A ficção tem esse poder de educar, tem uma função, muitas vezes, pedagógica de abrir nossos horizontes, de fazer com que a gente possa viajar sem sair de casa… eu acho que é uma das coisas mais bonitas que tem”, fala.

Júlia Portes. Foto: Elisa Maciel

Pauta importante

Coincidência ou não, depois de sete anos sem correção, o governo de Goiás sancionou um reajuste nas pensões especiais vitalícias para as vítimas afetadas pelo acidente. “Não sei se a série provocou esse reajuste, mas óbvio que foi concomitante, que agregou para isso voltar a ser pauta, para reacender essa conversa”, acredita a carioca, que conheceu o caso por meio da produção e fica feliz ao saber que as escolas, agora, têm falado sobre o assunto. “Fico me perguntando: se isso tivesse acontecido no Rio de Janeiro ou em São Paulo, a gente já saberia, né?”, reflete.

Júlia Portes. Foto: Elisa Maciel

Maturidade

Para a artista, a oportunidade de fazer a produção veio na hora certa. “Acho que estava pronta, estou em um momento de maturidade para passar por isso, contar essa história”, afirma. “Para mim, o retorno de Saturno está sendo muito bom. Eu achei muito difícil ser jovem. Eu estava muito encalacrada sendo jovem, desejando. Quando a gente não é herdeiro, a gente tem que construir. E, fazendo essa escolha de ser autônoma, você tem que construir muita coisa se quer, de fato, ter uma autonomia, aprender o que fazer com nosso próprio tempo. Eu acho muito difícil aprender tudo isso. E não é que agora esteja fácil, mas eu acho que as coisas vão ganhando uma solidez. Fico com as coisas mais sólidas nesse momento e isso me dá uma paz”, conta ela.

Júlia Portes. Foto: Elisa Maciel

Dificuldades

No teatro desde a infância, Julia reconhece que não foi fácil chegar até aqui. “Eu tive muitos acessos, tive bolsa em escola particular, sou branca, tem todos esses privilégios em torno de mim. Mas, ao mesmo tempo, eu tive que segurar as pontas muito cedo, pagar minhas contas muito cedo. Eu sempre tive uma mãe que me apoiou muito, que falou que eu iria descobrir como fazer dar certo, mesmo que eu precisasse ampliar aquilo que faço”, recorda a artista.

Júlia Portes. Foto: Elisa Maciel

Lado escritora

E foi justamente isso que ela fez. Julia escreve peças, livros e ministra imersões de criação e escrita. “Eu sempre tive essa necessidade de escrever, acho que veio muito desse lugar de não querer ser refém dos testes, de ser chamada”, conta. Finalista do Prêmio Jabuti em 2023, o livro O Céu no Meio da Cara, escrito por ela, recentemente ganhou uma adaptação para o teatro e ainda vai ganhar uma para o cinema. “Estabilidade é uma palavra forte, mas a escrita me dá um chão, um lugar para onde voltar. O artista precisa ter para onde voltar quando não está, por exemplo, gravando uma série da Netflix. Aí, eu vou lá e dou minha imersão de escrita, faço uma peça, escrevo para outras pessoas atuarem. Você precisa ter o que fazer com o seu tempo, senão você pira”, afirma ela.

Júlia Portes. Foto: Elisa Maciel

Futuro

Cheia de projetos, depois da série a artista ainda protagonizou a estreia do clássico Você Decide, que retornou à telinha no Domingão com Huck, na TV Globo. Agora, ela faz o roteiro da adaptação do livro O Céu no Meio da Cara para o cinema, escreve uma peça para Johnny Massaro (34), aguarda o lançamento de mais um livro e dois curtas e ainda faz apresentações dos espetáculos Noite de Estreia e O Céu no Meio da Cara. “Fico orgulhosa, me dá uma alegria muito grande, porque é difícil não desistir nessa profissão. Então, fico feliz de que as coisas estejam caminhando”, celebra.

Júlia Portes. Foto: Elisa Maciel

Animada com a nova fase, ela está aberta a novos desafios. “Sou uma pessoa muito entusiasmada. E o entusiasmo é um remédio, ainda mais nesse mundo que quer amortizar a gente, quer botar a gente na normose, encaixotar tudo sempre. Então, é importante a gente pirar e fazer coisas que estão fora do nosso script. Só o entusiasmo pode dar isso para a gente. Estou confiando no tempo das coisas”, finaliza.



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