Aos 31 anos, cantora que fez história no Grammy passa por transformação e cria seu próprio refúgio

A cantora Liniker vive uma etapa de transformação e segurança. A necessidade de buscar validação constante ou de tentar se encaixar em espaços restritos ficou no passado. O foco atual da artista é a saúde emocional, a autoestima e a celebração de sua própria história no cenário cultural brasileiro. Em entrevista à Revista Marie Claire, ela explicou essa mudança de postura de forma direta: “Tem sido importante entender que não preciso mais abaixar a cabeça, ser validada, pedir licença para entrar. Onde eu não couber, vou sair”.
Essa nova visão sobre si mesma reflete diretamente na música, de forma especial no disco Caju. O trabalho dominou as plataformas de áudio rapidamente, somando milhões de reproduções em poucas horas e esgotando os ingressos das primeiras apresentações ao vivo. Para a cantora, no entanto, os números são apenas uma parte do resultado. O sucesso real, segundo relatou à Marie Claire, é ter orgulho do que construiu no estúdio. O álbum é fruto de oito anos de terapia, pensado para ser um projeto dançante, solar e para celebrar as próprias vitórias sem culpa.
Aos 31 anos, ela nasceu em 3 de julho de 1995, Liniker de Barros Ferreira Campos acumula uma trajetória de superação e ineditismo. De acordo com os dados biográficos da Wikipedia, a artista cresceu em Araraquara, no interior paulista. Criada pela mãe, Ângela, ela venceu a timidez da infância estudando Artes Cênicas.
O reconhecimento nacional chegou em 2015, quando liderava o grupo musical Liniker e os Caramelows. Hoje, a mulher trans que enfrentou dificuldades financeiras e preconceito ao chegar à cidade de São Paulo, consolida uma carreira solo sólida.
Fé, astrologia e respeito ao tempo
O bem-estar da cantora não vem apenas da psicologia. Ela toma decisões profissionais e pessoais guiada pela astrologia e pela religião. Devota do candomblé, ela encontra apoio na herança espiritual familiar. “Nada disso seria possível se eu não tivesse fé”, declarou à revista, lembrando da mobilidade social que conquistou na última década.
No ofício musical, Liniker valoriza o tempo das coisas. Enquanto o mercado da internet cobra músicas cada vez mais rápidas, Caju caminha na direção contrária e traz faixas com até sete minutos de duração. A dedicação e os bastidores da criação do disco foram tão intensos que o processo vai virar um documentário, sob a direção da cineasta Safira Moreira.
Marcos históricos e novos sonhos
O reconhecimento institucional acompanhou o sucesso popular. A página da artista na Wikipedia lista feitos históricos para a cultura do Brasil:
- Grammy Latino: em 2022, tornou-se a primeira travesti a vencer a premiação. O feito ganhou proporções maiores com Caju, rendendo novas estatuetas e o posto de brasileira mais indicada na edição de 2025.
- Academia Brasileira de Cultura: foi a primeira artista transgênero a ocupar uma cadeira imortal na instituição, assumindo a vaga que pertencia a Elza Soares.
- Mérito Cultural: recebeu a honraria da Ordem do Mérito Cultural (OMC) do governo federal.
Além das medalhas e troféus da indústria, as conquistas na vida pessoal também ganham os holofotes. Após dez anos de carreira, Liniker comprou sua primeira casa própria, saindo do aluguel. Com a lista de metas profissionais e pessoais praticamente gabaritada, ela brinca que precisa montar novos objetivos. Como resumiu à Marie Claire, a vontade de seguir realizando é o seu principal motor criativo: “Meu maior medo é não sentir nunca mais. Não acreditar mais nas coisas, parar de sonhar”.
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