Aos 52 anos, Ana Carolina guarda coleção de obras que ela mesma pintou e já expôs telas em galeria

Consagrada como uma das maiores vozes da música brasileira, Ana Carolina construiu um verdadeiro império musical ao longo de décadas de carreira. O sucesso nos palcos e estúdios, coroado com marcas expressivas de vendas, no entanto, divide espaço com uma paixão menos conhecida pelo grande público: as artes plásticas. Transformando a pressão das gravações em energia criativa, a estrela assina uma coleção própria de obras de arte, exibindo 15 telas exclusivas na Galeria Romero Britto, localizada em São Paulo.
As obras, marcadas por jogos de cores fortes e formas abstratas, compõem um acervo pessoal que reflete a intensidade de sua música e serviram inicialmente como um refúgio emocional e lúdico para a cantora. Saiba mais sobre como a estrela brasileira transformou seu relaxamento em um verdadeiro projeto artístico de sucesso.
O início nos barzinhos de Juiz de Fora
Nascida no bairro Granbery, em Juiz de Fora, Minas Gerais, a relação da cantora com a arte começou cedo, usando bobes de cabelo como microfone no salão de beleza de sua mãe.
Aos 18 anos, ela já se apresentava nos barzinhos de sua cidade natal e arredores, rodando a região em uma Parati para fazer shows de voz e violão.
Foi nessa mesma época de juventude, aos 16 anos, que ela deu suas primeiras pinceladas, interrompendo a atividade aos 18 anos para focar na carreira, e retomando a criação de quadros apenas aos 27 anos.
As cores e formas do acervo particular
O acervo de obras da artista é composto por pinturas abstratas de cores fortes, todas assinadas com as iniciais “A.C.”. A coleção de telas começou a ganhar forma de maneira terapêutica durante a gravação de seu terceiro disco, “Estampado”, para aliviar o estresse da rotina de estúdios musicais.
Na época, ela chegou a pintar um quadro para cada uma das 15 faixas do CD. Detalhista, a artista tem mania de contar palavras, cores e números, chegando a contabilizar exatos 4.585 pontos em um de seus quadros expostos na entrada de sua casa.
Sem formação acadêmica formal nas artes plásticas, ela buscou referências em grandes nomes como Monet, Picasso, Rodin e Hopper, recebendo avaliações positivas de especialistas no setor, como a artista plástica Niura Bellavinha.
Hoje, a pintura se tornou um dos momentos mais prazerosos de seu dia, e ela mantém uma fila de amigos para presentear com seus quadros.


O refúgio em São Conrado e a exposição em São Paulo
Inicialmente, os quadros da cantora ficavam espalhados apenas pela sua espaçosa e iluminada sala em seu apartamento no bairro de São Conrado, no Rio de Janeiro. No entanto, o talento tomou rumos maiores e as criações saíram de sua residência para ganharem os holofotes em uma exposição de 15 telas na Galeria Romero Britto, na cidade de São Paulo.
A união entre suas duas vertentes artísticas também originou, em 2010, o projeto “Ensaio de Cores”, um formato intimista de shows que misturou sua música com a exposição presencial de suas telas autorais. O sucesso do espetáculo rendeu o lançamento de CD, DVD, Blu-Ray e até de uma edição limitada em vinil.
O império musical de mais de 5 milhões de cópias
O luxo de poder se dedicar à pintura, distribuir telas e montar exposições próprias é sustentado por números estrondosos na indústria fonográfica. Estima-se que Ana Carolina já tenha vendido mais de 5 milhões de unidades de álbuns em toda a sua trajetória de vida.
Apenas com o álbum “Estampado”, época que marcou o grande volume de sua produção de telas, a cantora vendeu mais de 600 mil cópias. Já a sua coletânea “Perfil” tornou-se o álbum mais comprado em todo o Brasil no ano de 2005, rendendo-lhe um cobiçado certificado de diamante pela Pro-Música Brasil (PMB).
O impacto de sua arte a levou a lotar casas de eventos monumentais, arrastando cerca de nove mil pessoas em delírio para uma apresentação no Claro Hall.
A consolidação de uma estrela
Nascida em 9 de setembro de 1974, Ana Carolina de Souza ultrapassa o rótulo de cantora, sendo também compositora, musicista, pintora e escritora. Dona de uma inconfundível extensão vocal que vai dos graves aos agudos, a mineira já venceu oito vezes o Prêmio Multishow de Música Brasileira, levou três vezes o Troféu Imprensa e conquistou um Prêmio TIM de Música.
Na sua trajetória pessoal, assumiu bissexualidade à família aos 15 anos e superou desafios como o diagnóstico de diabetes aos 16 anos. Consolidada como um dos maiores ícones da música nacional, ela soma colaborações gigantescas com Seu Jorge e o astro norte-americano John Legend, provando que sua veia artística também se estende à literatura com o lançamento da obra autobiográfica “Ruído Branco”.
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