Aos 77 anos, cantor cultiva orquidário secreto com milhares de espécies no interior do RJ

Dono de um dos repertórios mais poéticos e sofisticados da música popular brasileira, o cantor e compositor Djavan (77) acumula quase cinco décadas de uma carreira irretocável. Com dezenas de discos lançados e uma legião de fãs pelo mundo, o artista alagoano costuma lotar arenas por onde passa, trazendo no currículo grandes apresentações como a bem-sucedida Turnê D, que percorreu dezenas de cidades no Brasil, na Europa e nos Estados Unidos.
No entanto, quando os holofotes se apagam e a maratona de shows dá uma pausa, o destino certo do músico fica bem distante da agitação dos grandes centros urbanos e do litoral.
Onde fica e o que guarda o santuário ecológico do artista
O refúgio particular do cantor fica encravado na Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro, cercado pela vegetação nativa da Mata Atlântica e favorecido pelo clima ameno e pela altitude da serra. É ali que Djavan mantém um sítio voltado para o contato direto com a natureza e a produção orgânica.
O grande destaque da propriedade, porém, é um imenso orquidário planejado. O local funciona como um verdadeiro santuário botânico, abrigando milhares de vasos e exemplares de orquídeas das mais diversas espécies, cores, formatos e origens — trazendo desde mudas nativas da flora brasileira até variedades exóticas internacionais.
Como funciona a rotina no espaço e a herança de família
Para Djavan, o cultivo das flores está longe de ser um hobby meramente decorativo. O orquidário conta com uma estrutura cuidadosa que garante o sombreamento, a umidade e a ventilação adequadas para o desenvolvimento de cada espécie. O próprio cantor faz questão de dedicar horas de seus dias de folga aos rituais de manejo, acompanhando de perto a rega, a adubação e o momento exato do florescimento de cada planta.
Essa ligação profunda com a botânica remonta às suas origens na infância em Maceió. O artista costuma revelar que o fascínio pelo reino vegetal foi herdado de sua mãe, que lhe ensinou desde cedo a observar a natureza e a memorizar os nomes das plantas. Para o compositor, o tempo passado entre as orquídeas funciona como uma espécie de meditação ativa, um momento em que ele desacelera a mente para criar novas poesias e harmonias.
A harmonia entre a arte e a preservação do meio ambiente
A paixão pelas orquídeas e pelo meio ambiente não fica restrita ao sítio na serra. Ela transborda para a própria obra do artista, que frequentemente insere referências à flora e aos elementos naturais em suas composições icônicas, como em clássicos do porte de “Flor de Lis”.
Equilibrando a rotina de criação em estúdio, os preparativos para novos projetos nos palcos e o cuidado atento ao seu jardim, Djavan prova que o segredo de sua vitalidade artística reside na simplicidade do campo. Seu orquidário permanece sendo o porto seguro onde o tempo corre em outro ritmo, alimentando a sensibilidade de um dos criadores mais genial do nosso país.
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