Michelle deve confirmar candidatura ao Senado em evento com Flávio e lançar irmão como suplente

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) deve confirmar sua candidatura ao Senado pelo Distrito Federal em convenção do partido marcada para domingo (2), às 17h, com a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Nesta sexta-feira (31), Michelle afirmou que ainda não decidiu se será candidata e que fará esse anúncio na convenção —a tendência, porém, é que ela aceite disputar a eleição. O principal empecilho é seu papel de cuidadora do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar e tem problemas de saúde.
“Tudo que eu gosto eu gosto de fazer bem feito, por isso vou definir com ele [Bolsonaro]. Eu estou cuidando dele. A realidade é que não tem ninguém. Eu não posso contar com ninguém nesse momento. Mas é uma expectativa também do [ex-]presidente. Há uma expectativa também do nosso grupo, do nosso movimento de mulheres”, disse ela, que foi presidente nacional do PL Mulher até mês passado.
Michelle falou com jornalistas após ter se reunido, durante a tarde, com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e a presidente do PL-DF, deputada federal Bia Kicis. Valdemar, por sua vez, declarou que Michelle vai resolver com o marido se será candidata. “Quem vai decidir é o Bolsonaro se ela sai de candidata ou não”, disse.
A ex-primeira-dama confirmou que Flávio vai participar da convenção no domingo e disse que ainda não se encontrou com ele. Após a recente conciliação entre o presidenciável e sua madrasta, esse deve ser o primeiro evento eleitoral em que os membros do clã Bolsonaro vão dividir o palanque.
Na convenção nacional do último sábado (25), Flávio mencionou Michelle em seu discurso, e a ex-primeira-dama enviou um vídeo para ser exibido no evento em São Paulo. Ela disse que não poderia participar presencialmente porque isso demandaria muitas horas longe de Bolsonaro.
Dirigentes do PL dizem esperar que Michelle entre na campanha de Flávio —e, no vídeo em que aceita as desculpas públicas do enteado, ela fala em sentar e conversar com o presidenciável. Esse encontro, porém, não foi marcado, segundo interlocutores de ambos.
A ex-primeira-dama vinha declarando que sua decisão de concorrer ou não dependia da saúde do ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de estado e depende dos cuidados da mulher. Aliados de Michelle, no entanto, afirmam que ela optou por disputar o Senado, seguindo o plano eleitoral traçado pelo marido.
Um dos irmãos de Michelle, Diego Torres Dourado (PL), que foi assessor do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), deve ocupar a vaga de primeiro suplente na chapa. O posto de segundo suplente ainda depende de tratativas.
A ex-primeira-dama também vai lançar outro irmão, Eduardo Torres (PL), na política —ele vai concorrer a deputado distrital no DF. Eduardo dividia com Michelle as tarefas relacionadas a Bolsonaro, inclusive entregando marmitas ao ex-presidente durante o período de prisão na Papudinha.
No regime de prisão domiciliar, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes não autorizou que Eduardo frequente a casa da irmã e atue como cuidador de Bolsonaro.
Depois do encontro com Michelle, Valdemar disse esperar que ela retome seu posto no PL Mulher após as eleições e declarou que, por enquanto, não nomeará uma substituta. Questionada sobre essa possibilidade, a ex-primeira-dama respondeu que seu ciclo no PL Mulher se encerrou.
A composição do PL-DF para a eleição, sob influência de Michelle, traz uma série de aliados da ex-primeira-dama. É o caso de Bia Kicis, que vai concorrer ao Senado, já que cada unidade da federação vai eleger dois representantes neste ano.
Michelle também trabalhou para que o partido apoiasse a reeleição da amiga Celina Leão (PP) ao Governo do DF em vez de lançar o senador Izalci Lucas (PL-DF), que ficou sem espaço na chapa e vai concorrer a deputado federal.
O grupo de Michelle apoia ainda o deputado distrital Thiago Manzoni, que vai concorrer a deputado federal e é bispo da igreja IDE Brasília.
Desde a trégua entre Michelle e Flávio, a ex-primeira-dama também passou a ser cogitada como candidata a vice-presidente na chapa do enteado, algo que aliados de ambos dizem ser improvável. À Folha Valdemar afirmou na semana passada que isso não está previsto pelo partido.
Isolado, sem o apoio de partidos do centrão, Flávio caminha para formar uma chapa pura do PL, mas seus articuladores ainda cogitam uma coligação de última hora com algum partido que indicaria o vice.
Flávio busca uma vice mulher para tentar reverter sua rejeição nesse público. Nesse ponto, a briga com Michelle, escancarada pela ex-primeira-dama em vídeos publicados em junho, o prejudicava ainda mais.
Além de ser uma aliada estratégica para a campanha de Flávio entre as mulheres, Michelle também é uma ponte com o segmento evangélico e, como presidente do PL Mulher, espalhou aliadas do partido pelo país e pode entregar capilaridade ao senador.
As pazes foram articuladas durante semanas por Valdemar e amigas de Michelle, como Celina e Damares Alves (Republicanos-DF), seguindo o diagnóstico de que o racha no clã fragilizava o desempenho eleitoral do enteado e da madrasta, atrapalhava o planejamento eleitoral do PL, limitava a mobilização da direita e dava argumento a outros partidos para evitar uma aliança com Flávio.
Folha de São Paulo



