As faixas do eleitorado em que Lula e Flávio mais oscilaram, segundo a Quaest

As duas últimas pesquisas presidenciais feitas pela Quaest, divulgadas com intervalos de uma semana (nos dias 13 e 20 de setembro), mostram que as intenções de voto variaram de forma expressiva em alguns segmentos do eleitorado.
No quadro geral, o cenário foi de estabilidade entre os dois principais concorrentes à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). No primeiro turno, o petista tem 37% contra 33% do rival (era 36% a 31% na sondagem anterior). Já no segundo turno, o presidente aparece com 41% contra 42% do senador (era 40% a 42%).
Em alguns recortes do eleitorado, no entanto, houve movimentações bastante significativas de intenções de voto nesse período. Numericamente, a maior delas se deu entre o eleitorado de cor preta, no qual a vantagem de doze pontos a favor de Lula (48% a 36%) subiu para 27 pontos (53% a 26%).
Outra variação bastante significativa ocorreu na região Sudeste, que concentra 42% do eleitorado do país. A vantagem de Flávio, que era de dezesseis pontos percentuais (47% a 31%), recuou para sete pontos (43% a 36%).
Por outro lado, na região Nordeste, o conforto de Lula diminuiu, com o placar a favor do petista passando de 60% a 28% (32 pontos de dianteira) para 57% a 31% (26 pontos).
Em outro segmento estratégico do eleitorado, o dos evangélicos, também houve movimentação significativa em favor de Flávio, com a sua vantagem subindo de 23 para 30 pontos. O mesmo salto em favor do candidato do PL (de sete pontos percentuais) se deu entre os eleitores mais ricos.
Já Lula melhorou a sua posição em outro contingente importante da atual eleição, o das mulheres. Veja abaixo os segmentos do eleitorado em que houve mais variações expressivas.
PRETOS
Vantagem de Lula subiu de 12 para 27 pontos (+15)
13. 09. 2026
Lula 48% x 36% Flávio
20. 09. 2026
Lula 53% x 26% Flávio
SUDESTE
Dianteira de Flávio caiu de 16 para 7 pontos (-9)
13. 09. 2026
Lula 31% x 47% Flávio
20. 09. 2026
Lula 36% x 43% Flávio
EVANGÉLICOS
Vantagem de Flávio subiu de 23 para 30 pontos (+7)
13. 09. 2026
Lula 28% x 51% Flávio
20. 09. 2026
Lula 28% x 58% Flávio
MAIS DE CINCO SALÁRIOS MÍNIMOS
Vantagem de Flávio subiu de 13 para 20 pontos (+7)
13. 09. 2026
Lula 34% x 47% Flávio
20. 09. 2026
Lula 33% x 53% Flávio
NORDESTE
Vantagem de Lula caiu de 32 para 26 pontos (-6)
13. 09. 2026
Lula 60% x 28% Flávio
20. 09. 2026
Lula 57% x 31% Flávio
MULHERES
Vantagem de Lula subiu de 3 para 7 pontos (+4)
13. 09. 2026
Lula 41% x 38% Flávio
20. 09. 2026
Lula 44% x 37% Flávio
35 A 59 ANOS DE IDADE
Vantagem de Flávio caiu de 5 pontos para 1 ponto (-4)
13. 09. 2026
Lula 39% x 44% Flávio
20. 09. 2026
Lula 41% x 42% Flávio
RENDA DE 2 A 5 SALÁRIOS MÍNIMOS
Vantagem de Flávio caiu de 10 para 5 pontos (-5)
13. 09. 2026
Lula 36% x 46% Flávio
20. 09. 2026
Lula 38% x 43% Flávio
Explicações
Segundo Guilherme Russo, diretor de inteligência da Quaest, as oscilações se explicam pelas margens de erro, que variam dependendo do recorte do eleitorado pesquisado — em alguns segmentos, ela pode chegar a seis pontos percentuais para mais ou para menos.
No caso do eleitorado por região, por exemplo, a margem de erro é de três pontos percentuais para o Sudeste, quatro para o Nordeste, cinco para o Centro-Oeste/Norte e seis para o Sul.
‘Pesquisa de intenção de voto é como fazer um exame de sangue, tiramos uma seringa de amostra para ver como está a saúde de um corpo inteiro. A pesquisa é desenhada para que a amostra seja da população nacional, se pegamos um recorte menor, como por região, são menos entrevistados. Quanto menos pessoas, mais impreciso e, portanto, maior a margem de erro’, afirma.
Segundo ele, ‘é natural que haja flutuações dentro desses segmentos. Talvez em uma rodada tivemos mais variação e, em outra, corrigimos, por exemplo. O mais importante é que esses números apontam uma tendência. Para ler as pesquisas, é necessário um pouco dessa arte, de conseguir enxergar a direção que os dados apontam’, afirma.
Ele afirma que a definição da eleição poderá vir do eleitor do Sudeste, mulheres e classe média e que esse é um eleitor mais pendular, sem lado definido e que é muito afetado pelas notícias. ‘Por algumas semanas, a campanha de Flávio ganhou espaço por trazer propostas ligadas à vida real das pessoas, falando do preço dos alimentos. Nesses últimos dias, o governo Lula conseguiu reverter um pouco desse quadro, saindo da crise no STF, que era uma pauta ruim para os dois, e trazendo o Bolsa Família, as bets, pautas que mexem exatamente com esse eleitor’, avalia.
Veja



