Ato pró-Lula em Berlim reúne centenas no Portão de Brandemburgo

Um ato de apoio à reeleição de Lula (PT) reuniu centenas de pessoas em frente ao Portão de Brandemburgo, neste sábado (17), em Berlim. Uma chuva fina e termômetros a 10°C não inibiram o público, animado por charanga, bateria, roda de capoeira e muitos cartazes contra a família Bolsonaro.
Em avaliação não oficial, policiais que acompanhavam o protesto estimaram o número de participantes entre 300 e 500 pessoas.
“Nem filho, nem pai, Bolsonaro nunca mais” era um dos cânticos que saíam de uma grande roda de samba no centro da Pariser Platz, praça que ladeia o cartão postal da capital alemã. Gritos e xingamentos contra o presidente americano Donald Trump também eram ouvidos com frequência, a despeito da Embaixada dos EUA ficar a metros do local.
“Olhando de fora, fica ainda mais claro que o antagonista não é apenas a família Bolsonaro, a extrema direita brasileira, mas também o tecnofascismo global”, afirmou Nina Cavalcanti, há 12 anos em Berlim. Ela segurava uma das pontas de uma faixa dupla-face: um lado dizia que a Amazônia não está à venda e, o outro, que a Meta está interferindo nas eleições brasileiras.
“Você vê como estão interligados os interesses imperialistas do Trump, desses bilionários donos de big techs. É um pouco assustador, mas vamos seguir, vamos ver onde dá.”
Berlim, com cerca de 10 mil eleitores brasileiros registrados, deu 83% dos votos para Lula no primeiro turno. As ligações da comunidade com o candidato se refletiam na quantidade de bandeiras, bonés e cartazes do PT, do Unidade Popular e de movimentos sociais como o MST.
Com uma pequena caixa de som que não conseguia superar o barulho da pequena multidão, líderes da passeata passavam instruções sobre como aumentar a visibilidade internacional da campanha.
Enquanto isso, alguns turistas brasileiros aderiam ao grupo ou se mostravam surpresos. “Nossa, mas é uma manifestação para o Lula”, gritou uma jovem ao sair do metrô junto com um grupo de adolescentes, aparentemente confusa pelo fato de muitas camisas da seleção brasileira estarem sendo usadas em apoio ao petista, e não em favor do senador Flávio Bolsonaro (PL).
No meio do público, Caíque Tizzi distribuía flyers para uma feijoada que organizou para arrecadar fundos para entidades que trabalham com educação democrática no Brasil. “A gente não pode perder essa eleição de jeito nenhum.”
Tizzi também cita o exemplo de Trump como sinal de preocupação. “Ele veio ainda mais radical no segundo mandato, mais violento com os imigrantes.” Para o artista, há 17 anos em Berlim, algo parecido pode acontecer se o filho de Jair Bolsonaro chegar ao poder no Brasil.
“Eles vêm com vingança, sabe? Eles sabem quem está contra eles. Acho que vai ser um país muito diferente. A gente não precisa disso.”
Folha de São Paulo



