Ator de ‘Senhora do Destino’ morre aos 67 anos após infarto e Brasil perde ícone da TV e do cinema

O ator, diretor e crítico de cinema José Wilker morreu em 5 de abril de 2014, no Rio de Janeiro, aos 67 anos, após sofrer um infarto fulminante. O artista estava na casa da namorada, a jornalista Claudia Montenegro, em Ipanema, bairro da zona sul carioca, quando passou mal de forma repentina. A situação evoluiu rapidamente e, segundo relatos, não houve tempo para que ele fosse socorrido e levado a um hospital.
A notícia de sua morte causou forte comoção no meio artístico e na televisão brasileira na época, já que Wilker era considerado um dos nomes mais influentes e versáteis de sua geração. A confirmação foi feita por sua filha Isabel, fruto do relacionamento com a atriz Mônica Torres, que optou por não conceder entrevistas naquele momento de luto.
Trajetória
Além de Isabel, o ator deixou outras duas filhas: Mariana, da relação com a atriz Renée de Vielmond, e Madá, com Claudia Montenegro. Discreto em relação à vida pessoal, Wilker manteve uma trajetória pública marcada por intensidade artística e grande presença na cultura brasileira.
Ao longo de décadas de carreira, José Wilker construiu uma filmografia e uma trajetória televisiva que o colocaram entre os grandes nomes da dramaturgia nacional. No cinema, ele eternizou personagens marcantes, como Vadinho, no clássico “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1976), e o enigmático Lorde Cigano, em “Bye Bye Brasil” (1980), obras que se tornaram referências da cinematografia brasileira.

Carreira
Na televisão, um de seus papéis mais populares foi o de Luís Roque Duarte, em “Roque Santeiro” (1985), novela que alcançou enorme sucesso e se tornou um marco da teledramaturgia. Wilker participou de quase 30 novelas ao longo de sua carreira na TV Globo, consolidando-se como um dos rostos mais reconhecíveis da emissora por décadas. Ele também fez sucesso na novela “Senhora do Destino” (2005).
Além de ator, também atuou com destaque como diretor de televisão. Ele esteve à frente de produções de grande repercussão, como o humorístico “Sai de Baixo” (1996), que se tornou um fenômeno de audiência e popularidade. Também dirigiu novelas importantes como “Louco Amor” (1983), de Gilberto Braga, e “Transas e Caretas” (1984), de Lauro César Muniz, ambas exibidas pela Globo.
Na TV Manchete, Wilker também teve participação ativa, acumulando funções como diretor e ator nas novelas “Carmem” (1987), escrita por Gloria Perez, e “Corpo Santo” (1987), de José Louzeiro, reforçando sua versatilidade artística e seu domínio em diferentes frentes da televisão.

Vida de José Wilker
Nascido em 1947, em Juazeiro do Norte, no Ceará, Wilker era filho de uma dona de casa e de um caixeiro viajante. Ainda na infância, mudou-se com a família para Recife, onde teve os primeiros contatos com o universo artístico. Sua trajetória começou cedo: aos 13 anos, atuou como figurante em um teleteatro da TV Rádio Clube, experiência que despertou definitivamente seu interesse pela dramaturgia.
Nos anos seguintes, ele se envolveu com o Movimento Popular de Cultura (MPC), ligado ao Partido Comunista, onde estudou teatro, dirigiu peças e participou da produção de documentários sobre cultura popular. Esse período foi interrompido em 1964, com o golpe militar, quando um filme no qual trabalhava com o cineasta Eduardo Coutinho foi suspenso e parte do acervo do movimento acabou destruído, restando apenas o histórico “Cabra Marcado Para Morrer”, preservado em meio ao cenário de repressão cultural.
Wilker chegou a ingressar no curso de sociologia da PUC do Rio de Janeiro, mas abandonou a formação para se dedicar integralmente ao teatro. Em 1970, teve reconhecimento nacional ao receber o prêmio Molière de melhor ator pela peça “O Arquiteto e o Imperador da Assíria”, de Fernando Arrabal, consolidando sua reputação como um dos grandes intérpretes do teatro brasileiro.
Sua entrada na televisão aconteceu por convite de Dias Gomes, na novela “Bandeira 2” (1971). Em depoimento posterior, o próprio ator relembrou o impacto da experiência: “Eu fazia teatro há dez anos, não tinha nada. Uma semana depois de estar no ar, eu era um cara com uma conta no banco, identidade, residência fixa e reconhecimento na rua. A resposta era muito imediata, intensa. Acabei gostando”, disse, em depoimento ao site Memória Globo, da emissora.

Entrada na televisão
O primeiro grande protagonismo na TV veio em 1975, na novela “Gabriela”, que ampliou sua popularidade e o projetou definitivamente para o grande público, abrindo caminho para uma sequência de papéis de destaque nas décadas seguintes.
Já nos anos 2000, José Wilker também se dedicou à gestão cultural, tendo sido diretor-presidente da RioFilme entre 2003 e 2008. Além disso, apresentou e participou de programas televisivos dedicados ao cinema, incluindo coberturas do Oscar, reforçando sua imagem como um dos principais divulgadores da sétima arte no Brasil e uma referência constante quando o assunto era cinema nacional.

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