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Autonomia e função guiam a trajetória de Ailton Fernandes na Urologia

Uma alteração urinária pode modificar muito mais do que a rotina de idas ao banheiro. Para alguns pacientes, significa restringir viagens, evitar encontros e conviver com o receio constante de um episódio de incontinência. Foi acompanhando situações de grande impacto funcional e social que Ailton Fernandes construiu boa parte de sua trajetória na Urologia e passou a enxergar a qualidade de vida como um dos principais objetivos do cuidado médico.

Hoje, sua atuação reúne Urologia funcional e reconstrutiva, problemas urinários complexos e cirurgia de afirmação de gênero. Áreas distintas, mas que, para ele, têm um ponto em comum: compreender o que cada condição representa na vida da pessoa.

“O conhecimento médico precisa estar a serviço das pessoas. Muitas vezes, o problema não termina no sintoma ou na anatomia. Ele modifica relações, independência, segurança e a forma como o paciente participa da própria vida.”

Da pequena cidade mineira à Urologia

Ailton Fernandes nasceu em Tiros, no interior de Minas Gerais, uma cidade com cerca de 5 mil habitantes. Cresceu em contato com a zona rural e mudou-se ainda jovem em busca de formação. Depois de passar por Uberaba, seguiu para Belo Horizonte, onde cursou Medicina e realizou sua formação em Cirurgia Geral e Urologia.

A escolha pela especialidade veio da combinação entre acompanhamento clínico e cirurgia.

“Eu gostava do contato com as pessoas, mas também queria trabalhar com cirurgia. A Urologia reunia esses dois aspectos. Ela permite prevenir, investigar, acompanhar e, quando necessário, operar.”

Em 2002, estabeleceu-se no Rio de Janeiro, onde consolidou sua carreira.

Ao concluir a residência, ingressou na Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação e passou a atender pessoas com sequelas neurológicas, lesões medulares e traumas graves, incluindo pacientes paraplégicos e tetraplégicos.

Muitos apresentavam bexiga neurogênica, condição em que alterações do sistema nervoso comprometem o funcionamento da bexiga. Cateterismo, infecções urinárias, cálculos e perda do controle da urina faziam parte daquela rotina de atendimento.

A experiência em uma equipe formada por fisiatras, fisioterapeutas e enfermeiros ampliou sua percepção sobre as consequências da doença para além do consultório.

“Quando uma pessoa passa a depender de fraldas, pode evitar ambientes públicos por medo de vazamentos ou odor. Em algumas situações, muda até a dinâmica dentro de casa, porque o companheiro também assume funções de cuidador. É preciso enxergar esse contexto para compreender o impacto real do problema.”

Na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), realizou mestrado em Urologia e doutorado em Medicina, com estudos ligados às disfunções miccionais e à Urologia funcional. Depois de deixar a Rede Sarah, em 2013, continuou dedicado a pacientes com alterações urinárias complexas. Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), realizou mestrado em Urologia e doutorado em Medicina, com estudos ligados às disfunções miccionais e à Urologia funcional. Depois de deixar a Rede Sarah, em 2013, continuou dedicado a pacientes com alterações urinárias complexas.

Função urinária também é qualidade de vida

Na Urologia funcional, o especialista investiga como bexiga, uretra e outras estruturas desempenham suas funções e o que ocorre quando esse equilíbrio se perde. Já a Urologia reconstrutiva pode ser necessária quando essas estruturas são comprometidas por doenças, traumas, tratamentos ou cirurgias anteriores.

Entre os pacientes atendidos estão pessoas com sequelas neurológicas e aquelas que desenvolveram alterações urinárias após determinados tratamentos oncológicos. A conduta depende da origem e da gravidade de cada quadro.

Nas mulheres, Ailton Fernandes também chama atenção para as infecções urinárias recorrentes. Características anatômicas podem favorecer esses episódios, enquanto hábitos como ingerir pouco líquido e adiar repetidamente a ida ao banheiro podem contribuir para o problema.

“A história da paciente é tão importante quanto o sintoma. É preciso saber como ela se hidrata, com que frequência urina e em quais circunstâncias surgem as infecções. A investigação não deveria se limitar a tratar cada episódio isoladamente.”

A mesma atenção vale para a incontinência urinária. Normalizar os escapes apenas por causa da idade, de uma condição neurológica ou de uma cirurgia pode atrasar a busca por uma avaliação adequada.

Um novo caminho na cirurgia reconstrutiva

Se algumas etapas da carreira surgiram a partir de oportunidades profissionais, a aproximação com a cirurgia de afirmação de gênero foi planejada. O interesse nasceu durante sua atuação com Urologia reconstrutiva e do contato com pessoas trans.

Ailton Fernandes passou a estudar o tema e buscou treinamento periódico no exterior, mais especificamente em Cleveland (EUA). Atualmente, lidera no Rio de Janeiro uma equipe dedicada a cirurgias de afirmação de gênero.

O que mais o marcou nesse processo, conta, foi conhecer histórias de rejeição, exclusão e insegurança vividas por alguns pacientes desde muito cedo.

“Existem situações simples para a maioria das pessoas, como escolher uma roupa, frequentar determinados lugares ou usar um banheiro público, que podem ser acompanhadas de medo por uma pessoa trans. Por trás de uma demanda cirúrgica, existe uma trajetória que precisa ser respeitada.”

Nem toda pessoa trans deseja realizar uma cirurgia, e a identidade de gênero não depende da realização de um procedimento. Para aquelas que buscam esse caminho, ele defende uma avaliação individualizada, com compreensão dos riscos e acompanhamento adequado.

Tecnologia sem perder o julgamento médico

Os avanços tecnológicos também acompanham a atuação do urologista. Ele cita lasers e procedimentos menos invasivos utilizados em determinados casos de aumento benigno da próstata, além da cirurgia robótica em diferentes operações urológicas.

Na cirurgia reconstrutiva, recursos de magnificação e instrumentos que auxiliam na precisão podem integrar alguns procedimentos. A indicação, porém, precisa respeitar as particularidades de cada caso.

A inteligência artificial também passou a fazer parte de sua rotina acadêmica como ferramenta de apoio à pesquisa e à organização de informações.

“A tecnologia reduziu o tempo necessário para determinadas pesquisas, mas isso aumenta a responsabilidade de quem recebe a informação. É preciso conferir, interpretar e aplicar com critério. A inteligência artificial auxilia; não substitui experiência nem julgamento médico.”

O próximo capítulo

Para os próximos anos, Ailton Fenandes pretende manter o aprofundamento na cirurgia de afirmação de gênero e avançar na estruturação de procedimentos voltados também a homens trans, além de continuar os treinamentos e o aperfeiçoamento profissional.

O plano se conecta a uma carreira que percorreu diferentes campos da Urologia, mas manteve uma preocupação constante com autonomia, função e qualidade de vida.O plano se conecta a uma carreira que percorreu diferentes campos da Urologia, mas manteve uma preocupação constante com autonomia, função e qualidade de vida.

“Aprendi que felicidade e qualidade de vida precisam ter espaço nas nossas escolhas. Hoje, o que me move é usar o conhecimento que adquiri para aliviar sofrimento e beneficiar as pessoas. É isso que continua dando sentido ao meu trabalho.”“Aprendi que felicidade e qualidade de vida precisam ter espaço nas nossas escolhas. Hoje, o que me move é usar o conhecimento que adquiri para aliviar sofrimento e beneficiar as pessoas. É isso que continua dando sentido ao meu trabalho.”

Dr. José Ailton Fernandes Silva — CRM 5272817-9/RJ | RQE nº 23297

Instagram: @ailtonfernandesurologia

Site: www.afirmacaodegenero.com.br

YouTube: @ailtonfernandesurologista

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