Brasil poderá exportar frango para UE a partir de setembro, avalia ABPA


O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, afirmou nesta terça-feira (28/7) que uma missão da Europa visitará empresas produtoras de frango no fim de agosto para verificar o cumprimento de uma nova etapa de fiscalização da produção por parte do governo brasileiro. Esta etapa foi estabelecida para comprovar o cumprimento das regras do bloco sobre o uso de antimicrobianos na cadeia do frango.
Os europeus demandam que o Brasil assegure que produtores brasileiros não usam promotores de crescimento na produção animal nem antibióticos de uso humano.
Santin disse que empresas brasileiras estão “rodando” um ciclo de vida inteiro de frangos destinados ao mercado europeu em agosto, e que essa produção será fiscalizada envolvendo fábricas de ração, granjas e frigoríficos. Segundo o dirigente, o governo brasileiro já fazia a fiscalização destes agentes, mas a Europa quer que a frequência dessas visitas seja maior.
Internamente as companhias já adotam diversos controles, conforme o executivo, como o acompanhamento de cada lote de animais e registros da alimentação e dos medicamentos administrados por lote. Há também a elaboração do boletim sanitário pelo médico veterinário responsável, atestando quais medicamentos foram utilizados.
Leia também
O que são antimicrobianos? Entenda o impasse que ameaça exportações de carne para a UE
Governo chama de ‘inaceitável’ exigência da União Europeia sobre antimicrobianos
A União Europeia retirou recentemente o Brasil da lista de nações autorizadas a exportar para o bloco a partir de 3 setembro, alegando que o país não conseguiu garantir o cumprimento das regras sobre antimicrobianos em todo o ciclo de vida dos animais – frangos, suínos, bovinos e outros.
Apesar do prazo curto entre a esperada missão europeia à cadeia brasileira, no fim de agosto, e a data a partir da qual passa a valer a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar ao continente europeu, Santin disse acreditar ser possível o país receber autorização do bloco para exportar carne de frango de 3 de setembro em diante.
Uma das possibilidades é a de autoridades europeias se contentarem com as informações fornecidas pela missão, antes mesmo da entrega do relatório final da comitiva. Os europeus também teriam a opção de, eventualmente, convocar uma reunião extraordinária para discutir a situação após a missão.
“É possível voltar a exportação (de frango) em setembro, sim. A União Europeia já fez visitas anteriores, já verificou isso no dia a dia”, afirmou Santin. “Vamos continuar fazendo o que sempre fizemos, não usamos promotores de crescimento para a União Europeia nem antibióticos de uso humano. Empresas do Brasil não estão fazendo nada diferente do que sempre fizeram, sempre segregamos’, continuou.
Santin lembrou que no ano passado, em virtude do único caso de gripe aviária em granja comercial no Brasil, o país ficou cerca de quatro meses sem exportar e conseguiu fechar 2025 com alta das exportações de frango. Caso a União Europeia não autorize exportações brasileiras do produto a partir de setembro, o país teria condições de redirecionar os volumes a outros importadores e ao mercado interno, na avaliação do executivo.
“A UE responde por 7% das nossas exportações (de frango). Se fechar, tem como distribuir isso no espectro de mais de 150 mercados para os quais a gente exporta”, afirmou Santin.
Onda de calor na Europa
O presidente da ABPA também disse que a entidade prevê efeitos “deletérios” para a avicultura europeia não só dos incêndios em diversos países do continente, como França e Espanha, mas também das altas temperaturas registradas no bloco durante o verão no Hemisfério Norte.
“O calor leva a uma menor conversão (de alimentos em carne), a avicultura sofre, a suinocultura também. Há efeitos deletérios que vão decorrer desses incêndios, não temos como medir mas sabemos que ocorrerão, junto com a presença da gripe aviária”, afirmou Santin. Segundo o executivo, ainda que granjas sejam climatizadas, o calor pode afetar em outras etapas da cadeia como, eventualmente, no transporte.
Com os prejuízos decorrentes das altas temperaturas, Santin disse acreditar que as exportações de frango da União Europeia devem perder fôlego até o fim do ano. Entre janeiro e abril, as vendas de frango do bloco para o exterior estão 2% maiores do que no mesmo período do ano passado, com 583,8 mil toneladas, segundo dados da Comissão Europeia divulgados pela ABPA.
Initial plugin text
Globo Rural


