Política

Caiado chama de estupidez possibilidade de governo Lula retaliar EUA por tarifaço

O candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, criticou o governo Lula (PT) e a hipótese de o Brasil aplicar reciprocidade contra os Estados Unidos após novo tarifaço.

Caiado disse que o Itamaraty “passou a ser um braço ideológico do governo” e “tentáculo do PT”.

“Não pode ser do humor do presidente colocar em risco a convivência que nós temos [com os Estados Unidos]”, falou o candidato, criticando a postura de Lula ante os Estados Unidos na economia.

O governo notificou os Estados Unidos na quinta-feira (13) para informar que iniciará o processo que aplica Lei da Reciprocidade contra as tarifas. Nessa primeira fase, o Brasil solicita análises diplomáticas antes da aplicação em si.

“Que estupidez é essa? Medida de reciprocidade neste momento, sendo que o maior investidor são os Estados Unidos?”, disse Caiado em evento do Santander nesta segunda-feira (17), em São Paulo. Ele também afirmou que a liturgia do presidente da República não pode ser “briga de boteco”.

O candidato também participou, nesta segunda-feira, de evento do Grupo Voto em São Paulo.

Caiado citou Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), como seu ministro das Relações Exteriores, caso a chapa ganhe. Ele afirmou que Azevedo teria a capacidade de redirecionar os rumos do Itamaraty.

Na economia, disse que Lula é populista e que não acredita em política fiscal, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) “nunca administrou nada. Não sabe o que é isso”.

O candidato do PSD prometeu controlar as despesas para que sejam, no máximo, “em torno de 40% ou 50% do PIB”.

O tema da segurança pública foi o principal explorado por Caiado neste segundo dia de campanha.

Ele afastou a ideia de que os Estados Unidos poderiam interferir no Brasil, com a classificação do Comando Vermelho e do PCC (Primeiro Comando da Capital) como terroristas.

Na quinta-feira (13), o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que as Forças Armadas americanas se preparam para realizar operações no território de países aliados com o objetivo de combater organizações de narcotráfico na América Latina.

O movimento acontece em cenário no qual o governo americano publicou, na terça-feira (11), um vídeo reafirmando a doutrina Monroe, que define a América Latina como área de interesse estratégico do país.

Questionado se seu governo apoiaria uma ação dos Estados Unidos no Brasil, sob a justificativa de combater o narcotráfico, ele afirmou que não precisaria “de apoio de nenhum outro país”.

No plano de governo, Caiado apresentou proposta para classificar organizações criminosas como CV e PCC como terrorismo doméstico, em sintonia com o movimento recente de Donald Trump.

“O que eu vou fazer com outros países, entre eles a Europa, os Estados Unidos, os países limítrofes, é um sistema de integração de informação, mas quem opera a segurança pública do país é exatamente o governo brasileiro. Existirá disposição de combater o crime no Brasil. A única frustração que eu tenho hoje é que eu não sou presidente para declarar as facções [como] terroristas”.

Mais tarde, o presidenciável também questionou a ideia de soberania atrelada ao discurso contrário à nova classificação dos EUA. “Como você vai falar da soberania brasileira, Lula, se a soberania brasileira está na mão do PCC?”, questionou.

O candidato voltou a criticar o presidente pelo que chama de conivência do governo com o crime organizado e disse que o Brasil caminha para uma “mexicanização” quando o assunto é a falta de controle sobre os grupos criminosos.

“Se não tivermos coragem de enfrentar, o Estado vai ser a grande lavanderia do narcotráfico”, afirmou o presidenciável.

Folha de São Paulo

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