Campanha de Lula deve pedir investigação contra Meta após mensagens internas da empresa

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá pedir uma investigação contra a Meta, dona do Instagram e do Facebook, após a Folha revelar mensagens internas em que funcionários da empresa admitiam que o petista foi prejudicado por restrições da plataforma na campanha.
Integrantes da campanha relataram à reportagem o plano de abrir um processo na Justiça Eleitoral na segunda-feira (19), provavelmente na forma de uma Aije (Ação de Investigação Judicial Eleitoral).
A equipe de Lula vem, há dias, reclamando de obstáculos para promover seu candidato nas plataformas da Meta, que também é dona do WhatsApp.
Em um primeiro momento, a campanha petista acionou o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), argumentando que as redes sociais da empresa estariam falhando de forma “reiterada e sistemática” na entrega de postagens de Lula e aliados.
A acusação feita pela equipe jurídica do presidente é de que a Meta estaria tentando interferir na disputa eleitoral em favor de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com quem Lula disputará o segundo turno no dia 25.
Mais de um problema foi relatado pela campanha de reeleição do petista. Em 9 de outubro, o perfil oficial de Lula ficou impossibilitado de impulsionar postagens feitas no feed do Instagram. E, além disso, a equipe do presidente também identificou que a Meta AI, ferramenta de inteligência artificial, se recusava a criar imagens com “Vote Lula”, mas atendia a pedidos semelhantes relacionados a Flávio.
Em uma justificativa inicial, a Meta disse que se tratava de uma falha técnica a nível global. No entanto, como mostram as mensagens obtidas pela Folha, o problema mundial no impulsionamento havia ocorrido em 7 de outubro e durou cinco horas. O caso de Lula foi registrado no dia 9 e durou quase 24 horas.
Nos diálogos, os funcionários admitiam que a conta de Lula estava “limitada” em comparação à de Flávio.
Outro episódio foi a recomendação do canal “Tropa do Flávio” nas buscas de canais de apoio a Lula no WhatsApp. Conforme determinação do TSE, perfis e canais de candidatos não podem ser recomendados, e só podem aparecer nas buscas caso o usuário tenha procurado o exato nome da conta.
Contudo, de acordo com as conversas internas, os funcionários estavam cientes de que, ao buscar pelo termo “Exército de Lula”, nome do canal do presidente no WhatsApp, os usuários também recebiam recomendações do canal de apoio a Flávio.
Além disso, o perfil de Flávio também aparecia nas recomendações em busca no Instagram, enquanto outros candidatos, não.
Nas mensagens, os funcionários também admitiam que o perfil do senador estava aparecendo e que não deveria. As conversas mostram também que eles sabiam que a conta de Lula não aparecia nem se fosse procurado o nome exato do perfil do presidente, como deveria acontecer.
Procurada, a Meta disse, na sexta (16), que as alegações de que atua para interferir no processo eleitoral ou favorecer a candidatura de Flávio são falsas. Segundo a empresa, os problemas relatados tiveram “causas distintas”.
“Alguns desses episódios tiveram alcance amplo e afetaram diferentes contas e anunciantes em diferentes países. Não damos tratamento preferencial a candidato, partido ou posição política, e nossos sistemas não são projetados ou operados para fazê-lo”, disse a empresa.
Diante do cenário de restrições da Meta em relação à campanha de Lula, o TSE determinou medidas para que a empresa desse um tratamento igualitário para os dois candidatos no segundo turno. A decisão havia sido tomada pelo ministro Marco Aurélio Bellizze, e foi validada pelo tribunal na sexta.
O magistrado proibiu a Meta de diminuir artificialmente o alcance dos candidatos no que diz respeito à redução de distribuição ou à exclusão de recomendação e determinou que ferramentas como a Meta AI apliquem critérios idênticos para Lula e para Flávio.
Folha de São Paulo



