Campanha de Lula não autorizou sobrevoo de drone para contagem de público na Paulista, dizem entidades

O Monitor do Debate Político no Meio Digital, projeto ligado ao Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) e à USP (Universidade de São Paulo) e a entidade More in Common Brasil afirmam que não realizaram contagem com estimativa de público do ato realizado neste domingo (11) na avenida Paulista, em São Paulo, porque não receberam autorização da campanha do presidente Lula (PT) para sobrevoar o local com drone.
Essas entidades vêm realizando esse tipo de levantamento de diferentes manifestações públicas a partir das imagens aéreas dos atos. Elas afirmam, porém, que ao longo da campanha essa foi a terceira vez em que não puderam fazer a contagem de atos ligados à candidatura do petista.
A Folha procurou a campanha de Lula e o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) para comentar a negativa ao sobrevoo e esclarecer os critérios para autorização de drones no evento. Não houve resposta até a publicação desta reportagem.
Segundo a nota, houve pedidos para realizar o levantamento no lançamento da campanha em São Bernardo do Campo, em 16 de agosto, para um ato realizado em São Paulo em 3 de outubro e para a manifestação deste domingo. “Todos os pedidos foram negados”, afirmam as organizações.
O Monitor e a More in Common dizem reconhecer a necessidade dos protocolos de segurança. As entidades afirmam que nunca utilizam drones em eventos com a presença do presidente sem autorização e que a realização da contagem depende da liberação da campanha e da equipe de segurança.
Elas questionam, porém, o fato de terem sido produzidas imagens aéreas da manifestação deste domingo, posteriormente divulgadas por veículos de imprensa e também por perfis que classificam como alinhados à campanha.
“Se há sobrevoos permitidos para produzir imagens de divulgação, a recusa a uma equipe de pesquisa independente, com histórico público de trabalho, deixa de ser uma questão técnica e passa a ser uma escolha”, afirmam.
As entidades renovaram, na nota, o pedido de autorização caso ocorram novas manifestações até o fim do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Também afirmaram estar disponíveis para realizar, sob os mesmos critérios, contagens de manifestações da candidatura de Flávio Bolsonaro.
A segurança do presidente da República fica a cargo do GSI. A legislação atribui ao órgão a tarefa de planejar e coordenar eventos com a presença do presidente e estabelece que os locais onde ele esteja, ou esteja prestes a estar, e suas adjacências são considerados áreas de segurança.
O GSI também adota restrições ao uso de drones em eventos envolvendo autoridades. Para as comemorações do 7 de Setembro deste ano em Brasília, por exemplo, o órgão e a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal estabeleceram uma Zona de Restrição de Voo na região do desfile cívico-militar.
Na ocasião, o GSI informou que os voos de drones seriam proibidos dentro da área delimitada, com exceção das aeronaves pertencentes aos órgãos de segurança pública e de outras instituições previamente autorizadas. Segundo o órgão, o descumprimento poderia resultar em medidas de mitigação e sanções administrativas, civis e penais.
O Monitor e a More in Common afirmam que utilizam a mesma metodologia em atos de diferentes grupos políticos.
Neste ano, disseram ter realizado contagens em manifestações convocadas pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) na Paulista, onde estimaram 20,4 mil pessoas no horário de pico, e no lançamento da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) em Copacabana, que reuniu 8.900 pessoas, segundo o levantamento.
Ainda segundo a nota, em 2022, quando Lula ainda não ocupava a Presidência, a candidatura autorizou o sobrevoo durante um comício no Vale do Anhangabaú. Na ocasião, o Monitor estimou público de 9.580 pessoas.
Batizada de Marcha pela Democracia, a manifestação realizada neste domingo foi convocada por estudantes, grupos de fãs, movimentos sociais e partidos de esquerda e buscou impulsionar a mobilização da campanha petista no segundo turno. Lula participou do ato e direcionou parte do discurso aos jovens.
O ato ocupou 12 quarteirões da avenida Paulista e levou o Metrô a fechar temporariamente a estação Trianon-Masp devido à concentração de pessoas.
Folha de São Paulo



