Carla Marins redefine sua visão de sucesso: ‘A maturidade me trouxe autoconhecimento’

Com carreira construída ao longo de quatro décadas, Carla Marins (58) já interpretou mulheres fortes, apaixonadas e determinadas. Mas, longe das câmeras, a personagem que mais tem lhe rendido descobertas é ela mesma. Em meio aos novos projetos, o orgulho pelas escolhas feitas ao lado da família e a tranquilidade conquistada com a maturidade, a atriz vive fase na qual o sucesso deixou de ser medido apenas pelos papéis que coleciona. “No começo da carreira, eu estava muito focada em trabalhar, aprender e conquistar meu espaço. Era um movimento natural daquela fase. Hoje, continuo apaixonada pelo meu trabalho, mas entendi que o sucesso também passa pela qualidade de vida e pelo tempo que dedicamos às relações e a nós mesmos”, aponta a artista, durante a Temporada de CARAS Inverno, em Campos do Jordão, na Serra da Mantiqueira.
Em meio ao cenário bucólico do lugar e às experiências sensoriais, a atriz colocou em prática sua filosofia: desacelerou e se conectou com cada momento. Tudo isso, ao lado da mãe, Helena. “Com a correria do dia a dia, nem sempre conseguimos viver esse tempo de qualidade, então poder compartilhar essa experiência com a minha mãe foi um presente”, diz ela, de férias da TV desde o fim da trama global das 9 Três Graças.
– Essas pausas são necessárias?
– São fundamentais. Estar em contato com a natureza, apreciar uma boa gastronomia, despertar os sentidos… tudo isso nos traz de volta para o momento presente. Eu acredito na importância de desacelerar para conseguir ouvir a si mesma. É nesses momentos que recarrego as energias e encontro inspiração para seguir com equilíbrio.
– Como definiria a Carla para além das telas?
– A Carla é uma mulher curiosa, que gosta de aprender, de estar perto da família, dos amigos e da natureza. Sou alguém que busca equilíbrio, que valoriza os momentos da vida. Estou em busca de autenticidade, conexão e evolução. É bonito quando a vida permite revelar outras camadas da nossa personalidade, porque ninguém é feito de uma única versão.
– Por falar em versões, o que mudou na sua relação consigo mesma ao longo do tempo?
– A maturidade trouxe mais acolhimento e autoconhecimento. Hoje respeito mais o meu tempo, passei a olhar para mim com mais carinho e isso reflete em todas as áreas da minha vida.
– E como você lida com esse passar do tempo?
– Envelhecer bem é aceitar o tempo como um privilégio. É cuidar da saúde física, mental e emocional, sem buscar uma perfeição impossível. É continuar curiosa, ativa, aprendendo, amando e vivendo com entusiasmo. Acho que a beleza da maturidade está justamente na liberdade de ser quem você é, com autenticidade.
– Existe alguma fase em sua jornada que foi desafiadora, mas acabou sendo fundamental para quem você se tornou?
– Acredito que toda escolha importante traz desafios. Houve momentos em que decidi priorizar minha família e minha vida pessoal, e isso exigiu abrir mão de algumas oportunidades. Mas nunca enxerguei essas escolhas como perdas. Elas me fortaleceram, me ensinaram sobre prioridades e me fizeram chegar até aqui com mais consciência de quem eu sou.

– Você diz viver um momento muito feliz pessoal e profissionalmente. O que a Carla de hoje tem que talvez a Carla, no início da carreira, ainda estava buscando?
– Autoconhecimento. Acho que essa é a palavra. Hoje tenho mais tranquilidade para viver cada etapa, mais segurança nas minhas escolhas e mais gratidão pelo caminho percorrido. Eu continuo sonhando e me desafiando, mas cada vez mais conectada com meu verdadeiro ser.
– Após tantos anos, ainda existe aquele frio na barriga?
– Sempre existe. É maravilhoso quando um personagem me tira da zona de conforto e me convida a estudar, pesquisar e descobrir novas possibilidades. Enquanto esse frio na barriga existir, significa que continuo apaixonada pela profissão.
– Você fez escolhas ao longo da vida, inclusive priorizando momentos ao lado da família. O que essas escolhas ensinaram sobre o seu próprio conceito de sucesso?
– Que sucesso não é apenas reconhecimento profissional. É também poder olhar para a sua vida e sentir que fez sentido, que esteve presente para quem ama, que construiu relações verdadeiras e que evoluiu como pessoa.

– Você usa sua voz para falar sobre questões sociais. Em que momento percebeu que poderia ocupar esse espaço também?
– Acho que isso foi acontecendo de forma muito natural ao longo da vida. Em algum momento, percebi que minha trajetória pública também me dava a possibilidade de contribuir com conversas importantes. Quando entendi que a visibilidade podia ser usada para ampliar reflexões, apoiar causas e dar força a pautas que considero fundamentais, passei a assumir isso com mais consciência e responsabilidade. Sempre acreditei que, quando temos voz, também temos a oportunidade de somar.
– Quais os seus sonhos?
– Meus sonhos hoje têm muito a ver com continuidade, propósito e qualidade de vida. Quero seguir trabalhando com personagens que me emocionem, viver experiências que me desafiem artisticamente e, ao mesmo tempo, continuar cercada das pessoas que amo. O que faz com que meus olhos brilhem é imaginar uma vida em movimento, com verdade, afeto e novas descobertas, onde nós, mulheres, possamos existir sem medo.



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