Política

Cleitinho tenta manobra para salvar candidatura, e Republicanos indica aliado do senador para disputar governo

O senador Cleitinho Azevedo tenta uma nova manobra para tentar concorrer ao governo de Minas Gerais pelo Republicanos. A sigla decidiu que terá candidato próprio e quer lançar Luis Eduardo Falcão, ex-prefeito de Patos, ao Executivo estadual. Ele é aliado do parlamentar e será sua aposta para voltar à cabeça de chapa.

Segundo aliados de Cleitinho, o senador tem conversado com lideranças estaduais do Republicanos. Ele acredita que parte da nova leva de filiados chegou ao partido apostando na sua eleição para governador, que ajudaria a legenda a eleger bancada.

No Republicanos, a saída de Cleitinho dividiu o partido. Enquanto a executiva nacional entendeu que não poderia lançá-lo após ele mudar de ideia, publicamente, três vezes sobre sua candidatura, a cúpula da sigla em Minas Gerais viu sua chapa de deputados ruir, nas palavras de um dirigente.

O partido cogitou apoiar o ex-secretário da Casa Civil de Minas Gerais Marcelo Aro (PP) ao governo, mas não houve consenso interno. Dessa forma, o Republicanos decidiu lançar a candidatura de Eduardo Falcão, ex-presidente da AMM (Associação Mineira de Municípios). Ele é amigo pessoal de Cleitinho e se filiou ao partido em fevereiro, justamente para concorrer a vice-governador.

Dessa forma, ao mesmo tempo em que virou a alternativa do partido para unidade interna, Falcão também se tornou aposta de Cleitinho. O grupo dos Azevedo conta com o ex-prefeito para articular um retorno à chapa original, com o atual senador concorrendo ao governo e o ex-prefeito à vice.

Cleitinho lidera isoladamente as pesquisas de intenção de voto em Minas Gerais. Segundo levantamento Quaest publicado no dia 28 de julho, ele tem 35% de intenção de votos no primeiro turno, 23 pontos à frente do segundo colocado, o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), que tem 12%. O senador também vence em todas as simulações de segundo turno.

O seu desempenho nas pesquisas é um dos principais argumentos de Cleitinho e aliados na insistência pela candidatura. Seu grupo tem defendido que, sem ele na cabeça de chapa, o partido não conseguirá eleger um bom número de deputados federais ou estaduais e pode ter um desempenho pífio no segundo maior colégio eleitoral do Brasil.

O Republicanos delegou à direção do partido em Minas Gerais a definição final. Ou seja, caso a cúpula estadual do partido ceda e aceite Cleitinho, a executiva nacional precisaria intervir para impedir sua candidatura, se assim desejar.

O período para realização de convenções partidárias foi encerrado nesta quarta-feira (5), mas os partidos têm até o dia 15 para registrar as candidaturas no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

A INDEFINIÇÃO DE CLEITINHO

Cleitinho é cotado para concorrer ao governo de Minas Gerais desde o fim de 2025, mas demorou a assumir o desejo de concorrer. No dia 18 de julho, ele perdeu o irmão, Matheus Azevedo, e se recolheu. Após faltar à convenção do partido no dia 25 de julho, gerou mais indefinição sobre seu futuro.

Sem sinal, o partido anunciou no dia 29 de julho que Cleitinho não seria candidato. O senador avisou a aliados que seria e divulgou um vídeo, lançando sua pré-candidatura. Falcão estava ao lado de Cleitinho quando ele disse que insistiria com Marcos Pereira, presidente do Republicanos, para concorrer ao governo de Minas Gerais.

Na última segunda-feira (3), Cleitinho gravou um vídeo ao lado de Pereira afirmando que não tinha condições de concorrer. Na convenção nacional do partido, na terça-feira (4), ele interrompeu o evento e pediu para ser candidato, sendo repreendido publicamente pelo presidente do Republicanos.

Após o ocorrido, Falcão divulgou um vídeo afirmando que “ninguém solta a mão de ninguém” e que defenderia Cleitinho “até o final”.

Folha de São Paulo

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