Corintiano é condenado por morte de palmeirense em 2012 – 06/10/2026 – Cotidiano

O Tribunal do Júri condenou nesta terça-feira (6) um corintiano pela morte do palmeirense Guilherme Vinicius Jovanelli na Batalha da Inajar de Souza, briga entre torcidas em março de 2012 que marcou o futebol de São Paulo.
Carlos Roberto de Britto Junior, o Neguinho, foi condenado a 16 anos e 4 meses em regime fechado por homicídio doloso (quando há intenção de matar).
Segundo a decisão da juíza Flavia Castellar Olivério, o júri considerou a morte como homicídio duplamente qualificado, como motivo torpe e por meio cruel, com o uso de uma barra de ferro.
Embora o réu seja primário, a pena-base foi elevada em 1/6 acima do mínimo legal (atingindo 14 anos de reclusão) em razão das consequências do crime. Esse aumento foi justificado pelo fato de a vítima ter apenas 19 anos de idade no dia do crime.
Além disso, a juíza ainda aumentou a pena em mais 1/6 devido às qualificações do homicídio, totalizando os 16 anos e 4 meses. Neguinho já deixou o tribunal algemado e escoltado pela polícia rumo ao presídio.
O advogado de defesa dele não quis comentar o resultado do julgamento, mas afirmou que vai recorrer da decisão.
Mário Batista, o Magoo, foi condenado por rixa (briga generalizada), mas ficará em liberdade pela prescrição do crime.
Ao longo do processo, eles negaram envolvimento no crime e premeditação da briga.
Outros oito corintianos que eram réus no processo foram absolvidos a pedido do Ministério Público. Todos os acusados acompanharam o julgamento no plenário do fórum da Barra Funda, na zona oeste.
O júri transcorria desde a segunda-feira (5). Foram ouvidas cinco testemunhas, entre elas a delegada Margarete Barreto, que investigou o caso, um policial militar que atendeu a ocorrência, o proprietário de uma empresa de ônibus e outras duas pessoas que estavam no momento da confusão e são protegidas pela Justiça.
André Alves Lezo, 21, e Guilherme Vinicius Jovanelli, 19, o Zulu, foram mortos com golpes de barra de ferro na cabeça durante uma briga na avenida Inajar de Souza, na zona norte. Ninguém foi condenado pela morte de André.
Barreto confirmou que a morte de Lezo e Jovanelli seria uma retaliação pelo homicídio em agosto de 2011 do corintiano Douglas Karin Silva. Segundo ela, teria havido envolvimento direto de um dos irmãos de Lezo.
“Não existia mocinho e bandidos”, ao dizer que os Gaviões da Fiel e a Mancha Alvi Verde tinham conhecimento que uma briga poderia ocorrer a qualquer momento.
O advogado Ricardo Cabral, que defendeu Mário Batista, Antonio Alan Souza Silva e Reinaldo Gilberto, comemorou a absolvição dos seus clientes e criticou o prolongamento do processo, que hoje tem cerca de 10,5 mil páginas, segundo ele.
Apesar de não defender Neguinho, ele afirmou que a defesa do único réu condenado vai apelar do resultado e pedir a soltura dele.
“Neguinho foi condenado, no entendimento inclusive da defesa, de forma injusta e arbitrária, porque houve uma ilegalidade muito grande aí [no julgamento]. O doutor vai fazer o recurso de apelação mas vai impetrar um habeas corpus imediatamente no tribunal, porque não havia motivos para decretar a prisão preventiva. Ele respondeu todo este período do processo solto e agora a juíza decretou a prisão preventiva, inclusive com uma contradição à prova dos autos. Esse júri muito provavelmente vai ser anulado pelo Tribunal de Justiça em decorrência dessa ilegalidade, dessa nulidade com relação à condenação do Carlos Roberto”, disse Cabral.
Passada a fase dos corintianos, a Justiça se prepara para julgar nove palmeirenses pela mesma briga. Eles respondem em liberdade pela acusação de associação criminosa.
Esporte / Folha de São Paulo



