Dasa (DASA3) cai 14% após UBS BB cortar recomendação e apontar pressão dos juros

As ações da Dasa (DASA3) desabavam nesta terça-feira (3), após o UBS BB rebaixar a recomendação de compra para neutra e reduzir o preço-alvo para R$ 3,40. Por volta das 12h45 (horário de Brasília), os papéis caíam 14,43%, cotados a R$ 2,55.
A revisão reflete a maior exposição da companhia ao cenário de juros elevados, que pressiona o resultado financeiro e aumenta o custo de capital. O banco estima que a taxa mais alta deve reduzir em 6% o lucro líquido projetado da Dasa para 2027.
O UBS BB também chama atenção para o perfil de endividamento da companhia, que enfrenta R$ 1,3 bilhão em vencimentos de dívida em 2028. Na avaliação dos analistas, essa estrutura pode limitar o ritmo de recuperação das ações, embora o banco mantenha uma visão positiva sobre a retomada da operação de diagnósticos.
A mudança de recomendação faz parte de uma revisão mais ampla das empresas de saúde cobertas pelo UBS BB, diante da deterioração da curva de juros brasileira após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O banco elevou em 1 ponto percentual suas premissas de custo de capital próprio (COE) para todo o setor, passou a considerar a taxa de juros implícita na curva para 2027 e reduziu os preços-alvo entre 5% e 28%.
Na avaliação do UBS BB, o ambiente de juros elevados por mais tempo exige maior seletividade no setor. A taxa dos títulos públicos de dez anos chegou a 15,5%, ante 14,3% no início da cobertura, enquanto a taxa de um ano avançou para 14,4%, cerca de 0,6 ponto percentual acima do nível anterior.
O impacto da alta dos juros varia conforme a estrutura financeira de cada companhia. O aumento de 1 ponto percentual no custo de capital reduz entre 5% e 8% o valor justo das empresas com menor alavancagem. Na Hapvida (HAPV3), o efeito supera 20%, enquanto na Dasa a pressão também ocorre pelo canal do resultado financeiro.
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Considerando a taxa projetada para 2027, o UBS BB estima uma redução de 7% no lucro líquido da Hapvida e de 6% no da Dasa. Para Rede D’Or (RDOR3) e Fleury (FLRY3), o impacto estimado é de aproximadamente 1%. Já a Bradsaúde (SAUD3) deve registrar crescimento de 5% no lucro líquido, beneficiada por sua posição de balanço em um ambiente de juros mais elevados.
O perfil de vencimento das dívidas também é um ponto de atenção para a Dasa. Enquanto mais de 80% dos compromissos financeiros de Rede D’Or e Hapvida vencem após 2028, a companhia enfrenta R$ 1,3 bilhão em vencimentos naquele ano. A Fleury, por sua vez, apresenta prazo médio de vencimento da dívida de 2,8 anos.
Entre as empresas do setor, a Bradsaúde permanece como principal escolha do UBS BB, que também mantém recomendação de compra para Rede D’Or. Para Hapvida, o preço-alvo passou a R$ 5,60, enquanto para Fleury ficou em R$ 22,20.
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