Política

Datafolha: 34% querem o afastamento de Moraes e 37%, o de Mendonça

Para 28% dos brasileiros, o ministro do Supremo Alexandre de Moraes deveria sofrer processo de impeachment, enquanto 34% defendem seu afastamento temporário. Pensam o mesmo de seu colega André Mendonça 12% e 37%, respectivamente.

Este é o saldo inicial da crise no STF (Supremo Tribunal Federal) aferido pela mais recente pesquisa do Datafolha. Moraes e Mendonça estão em trincheiras opostas em torno do caso do Banco Master, com aliados de ambos os lados operando e a crise, transbordando para a campanha presidencial.

A pesquisa do Datafolha, que ouviu 2.002 pessoas em 125 cidades de terça (8) a quinta (10), ocorreu durante dias agitados do embate, mas não pegou alguns lances importantes ocorridos no seu último dia de campo e na sexta (11).

A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos. Encomendado pela Folha e pela TV Globo, o levantamento do Datafolha está registrado na Justiça Eleitoral com o código BR-01833/2026.

Na terça retrasada, Mendonça revelou relatório sigiloso no qual são revelados detalhes das relações de Moraes com Vorcaro, como o do conhecido contrato de R$ 131 milhões do ex-banqueiro com o escritório da mulher do ministro. Também emergiram mensagens de Vorcaro questionando o magistrado se deveria fugir do país para escapar da prisão.

Ele não fugiu, ao fim, e está preso acusado de comandar a maior fraude bancária da história brasileira. Não se sabe qual foi a resposta de Moraes.

Pressionado, o ministro pediu uma apuração sobre a legalidade das ações de Mendonça, que devolveu determinando o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal e do chefe da inteligência do órgão, sugerindo conluio com o Moraes.

O caso tornou-se parte da campanha presidencial, com Flávio Bolsonaro (PL) apoiando Mendonça, ex-ministro de seu pai Jair, ex-presidente preso em julgamento comandado por Moraes. O senador pelo Rio passou a associar o desafeto ao rival na disputa pelo Planalto, o presidente Lula (PT).

Segundo o Datafolha, 7% dos ouvidos não viram nada de errado na atuação de Moraes, enquanto 5% disseram que não há problemas porque a apuração de provas por parte de Mendonça foi ilegal. Outros 13% defendem sua renúncia.

A visão mais crítica ao ministro está, como seria previsível, entre bolsonaristas. Para 50% dos que votam em Flávio, ele deveria ser impedido, número que cai a 9% entre os apoiadores de Lula.

Já Mendonça não fez nada ilegal para 25%, enquanto 11% defendem que o ministro renuncie. Entre eleitores do senador do PL, 48% não veem irregularidades, e 23% concordam com um afastamento, índice que vai a 49% entre apoiadores do petista.

O presidente do Supremo, Edson Fachin, tratou de suspender as medidas dos rivais, mas a tentativa de acalmar a crise não deu certo. Na quinta, o ministro Flávio Dino, que é aliado de Moraes, autorizou uma operação policial que trouxe o caso “Dark Horse” à tona novamente.

O filme homônio, uma cinebiografia elogiosa de Jair Bolsonaro, foi bancado segundo Flávio com dinheiro de Vorcaro. Ele teve uma conversa com o ex-banqueiro na qual cobrava dinheiro revelada pelo site The Intercept.

Fachin determinou o fim do sigilo sobre o caso Master, mas Mendonça só o fez de forma seletiva, sendo obrigado à transparência total na sexta.

Folha de São Paulo

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