Política

Debate da gritaria mostra Flávio e Lula mais preocupados em agitar suas bases

Pancadaria, gritaria, briga na lama. Qualquer uma dessas definições se aplica ao debate da Band entre Flávio Bolsonaro e Lula neste domingo.

Debate entre aspas, porque o que menos ocorreu foi discussão de ideias e propostas. O encontro foi o reflexo de um país dividido e com os ânimos acirrados, nesta que é uma das eleições mais tensas e apertadas que já tivemos.

Não houve cumprimento nem aperto de mãos. Flávio até deu um boa noite ao adversário, que não retribuiu.

O tom do que viria começou logo na primeira interação entre os candidatos. Flávio foi para cima de Lula citando a lobista Roberta Luchsinger, que deu uma entrevista dizendo que o filho do presidente participava de reuniões com ministros.

Lula claramente ficou abalado e demorou a reagir, mas depois respondeu citando as relações de Flávio com Daniel Vorcaro.

E depois, tome pancadaria sobre segurança pública, fim da escala 6×1 e corte de gastos.

O formato do debate foi um dos temas da noite. As regras permitiam que os candidatos circulassem livremente, e muitas vezes eles se encaravam e quase se tocavam. Às vezes parecia que iriam se agredir fisicamente, o que felizmente não aconteceu.

Flávio também soube usar melhor o espaço, posicionando-se atrás de Lula, fazendo gestos e ironizando as falas do presidente. O que só gerou mais bate-boca e reclamações das claques de ambos.

Debates, teoricamente, servem para conquistar eleitores indecisos, mas os candidatos pareciam mais preocupados em reforçar suas bases de apoio.

Afinal, o comparecimento às urnas e as manifestações nesta reta final são os principais fatores que devem decidir essa eleição.

Por isso, tome frases ensaiadas e feitas para gerar os famigerados cortes nas redes sociais.

Talvez o único ponto positivo do debate seja que ele tenha finalmente acontecido. Teria sido muito frustrante terminar uma eleição tão importante sem nenhum confronto entre os principais candidatos.

Mas o resultado foi algo deprimente. O baixo nível certamente gerou repúdio em uma parcela grande da população, que deve ter desligado a TV e ido dormir depois de algum tempo.

Resta mais um debate, o da Globo, na sexta-feira. Talvez os candidatos baixem o tom um pouco para não deixar a agressividade como última impressão antes do voto. Mas eu não apostaria nisso.


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Folha de São Paulo

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