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Deriva de herbicidas hormonais causa perdas de até 80% em vinhedos do RS

Vinhedos do Rio Grande do Sul que sofreram deriva de herbicidas hormonais, como 2,4-D, dicamba, picloram e fluroxipir, tiveram perdas de produtividade entre 20% e 55%, e até ultrapassando 80% em algumas regiões. Os dados constam de um estudo inédito sobre o tema, que será apresentado no dia 17 de junho, em Dom Pedrito (RS).

Realizada pelo Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS), a pesquisa foi executada pela Fundação Empresa-Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Feeng). O estudo avaliou registros oficiais de ocorrências de deriva nos vinhedos gaúchos entre 2018 e 2025, apontando mais 400 casos confirmados, com média de 57 ocorrências por ano.

Segundo as estimativas, aproximadamente 700 hectares de vinhedos teriam sido diretamente afetados por ocorrências de deriva no período analisado. Esse número, porém, pode ser ainda maior, já que o estudo foi elaborado com base nos registros oficiais e nas fontes consultadas, não sendo possível mensurar a totalidade dos casos ocorridos no Estado.

A maior concentração dos registros ocorre em áreas onde a vitivinicultura convive com sistemas agrícolas extensivos que utilizam herbicidas hormonais. Também chamados de herbicidas auxínicos ou mimetizadores de auxinas, esses químicos são amplamente utilizados no controle de plantas daninhas.

Segundo os pesquisadores, os efeitos da deriva vão além das perdas imediatas de produção. A avaliação econômica considera a redução do volume produzido, os custos adicionais relacionados ao manejo e à recuperação das plantas e a necessidade de renovação de vinhedos. Entre os impactos mais recorrentes estão o abortamento floral, o menor pegamento de frutos, deformações vegetativas e o enfraquecimento das plantas.

Para a pesquisadora Shana Sabbado Flores, uma das autoras do estudo, os resultados demonstram que o problema passou a ter implicações que vão além da esfera produtiva. “A deriva deixou de ser percebida pelos produtores como um evento pontual e passou a ser considerada um fator permanente de risco. Isso tem reflexos diretos sobre investimentos, expansão da atividade e perspectivas de desenvolvimento da vitivinicultura em diferentes regiões do Rio Grande do Sul”, afirma.

De acordo com a especialista, o estudo representa um avanço importante para a compreensão do fenômeno em escala territorial. “Este estudo representa um marco para a vitivinicultura gaúcha ao reunir, pela primeira vez, uma análise integrada dos impactos da deriva de herbicidas hormonais em escala territorial. Além de quantificar e projetar os impactos, o trabalho entrega uma metodologia de monitoramento que poderá ser utilizada e aperfeiçoada nos próximos anos, criando uma base consistente para o acompanhamento do fenômeno e para a construção de soluções técnicas e institucionais”, destaca.


Globo Rural

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