Política

Desembargadora do Trabalho é afastada após dizer que trabalha ‘como um animal’ em sessão

A desembargadora da Justiça do Trabalho Marise Medeiros Cavalcanti Chamberlain foi afastada do cargo e entrou na mira do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) depois de dizer, aos berros, durante uma sessão da Corte a que pertence (o Tribunal Regional do Trabalho da 17ª região, no Espírito Santo), que a primeira instância “não está produzindo nada” e que, no segundo grau, os membros estariam trabalhando “como animais”. Ela também questionou a presença da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) na sessão, afirmando, várias vezes, “o que é que vocês estão fazendo aqui?”.

“O que é que a Ordem dos Advogados do Brasil está fazendo aqui? Eu acho que deveria ter certa responsabilidade nisso. A pessoa vem aqui sustentar, falar. A gente só tem uma decisão a cumprir: a decisão do corregedor. Quando ele diz ‘vamos reestruturar”, vamos reestruturar, porque o primeiro grau não está fazendo nada e está cheio de servidor. Posso tirar uns e colocar no segundo grau. Aí vem a OAB e diz coisa absurda. Não sei o que a OAB está fazendo aqui. Vocês, amados desembargadores, tiveram muita cautela e delicadeza, mas eu não tenho, não”, disse a desembargadora.

Em outro trecho da sessão, ela disse que a OAB estaria dizendo ao Tribunal: “vocês continuem se ferrando, trabalhando feito uns animais, que é o que a gente faz”. Em junho, o rendimento líquido da desembargadora foi de R$ 84.086,80, segundo informações do site do TRT-17, valor que equivale a quase 52 salários mínimos nacionais. As falas foram ditas em uma sessão administrativa do TRT-17, na última quarta, 8. Esse tipo de sessão não julga processos e delibera somente questões do funcionamento do tribunal.

O afastamento foi deliberado pela Corregedoria-Geral da Justiça do Trabalho, que encaminhou um pedido de providências para o CNJ. “A íntegra da fala da desembargadora contida no vídeo anexado aos autos dispensa a degravação. Em todo o seu conteúdo, é possível verificar os gritos, o destempero, a grosseria, a descortesia e o tom de deboche utilizado em vários momentos pela magistrada, que ainda aproveitou para desferir ataques públicos e diretos ao primeiro grau de jurisdição”, diz trecho da decisão que afastou a magistrada.

A ordem faz menção a um “comportamento irascivo, muitas vezes debochado e de descontrole” ostentado por Chamberlain. Ela já responde a um processo administrativo disciplinar no CNJ por enviar mensagens agressivas, de tom político, em um grupo de outros magistrados do Trabalho. Ela chamou um colega de “gentalha” e ameaçou: “quando eu for presidente do Tribunal, a direita já tratorou a esquerda toda”. Por conta disso, o CNJ concedeu uma liminar proibindo-a de ocupar o cargo máximo da Corte.

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