Direto de Quem Ama Cuida, Gahbi revela bastidores e novos passos na carreira

O horário nobre da TV Globo ganhou um tempero para lá de especial recentemente. O ator, humorista e apresentador GAHBI fez uma participação marcante na novela Quem Ama Cuida, dando vida ao divertidíssimo Carlinhos Maravilha. Convidado pela diretora artística Amora Mautner, ele chegou para sacudir as estruturas do folhetim de Walcyr Carrasco e Claudia Souto.
Na trama, o personagem foi o grande responsável por comandar e anunciar o casal vencedor do “Primeiro Prêmio Nádia Martin de Dança” — concurso promovido pela escola de Dora (Mariana Ximenes). O nome do jurado foi uma criação do próprio artista em parceria com a equipe de preparação: uma homenagem direta a Carlinhos de Jesus e Elke Maravilha, além de carregar referências de Maria Alcina e Milton Cunha.
Atravessando uma fase extraordinária na carreira — que inclui as gravações do novo filme de Rosane Svartman e milhões de acessos nas redes sociais —, GAHBI bateu um papo delicioso com a CARAS Brasil. Confira!
O desafio do humor anárquico na TV contemporânea
Para o ator, o principal desafio foi equilibrar a leveza de seu personagem cômico com a carga dramática da trama central das nove, que envolve conflitos intensos na pele da protagonista vivida por Letícia Colin. De acordo com o artista, a irreverência de Carlinhos Maravilha foi pensada para funcionar como um ponto de luz e um respiro colorido em meio às disputas familiares e tradicionais da história.
Conforme explica o humorista, resgatar a essência de ícones que transformavam a função de julgar em um verdadeiro show foi o combustível para a construção do papel:
“Acho bonito lembrar que a televisão brasileira sempre teve personagens que transformavam uma função em espetáculo. Elke Maravilha, Pedro de Lara, Aracy de Almeida… eles não eram apenas jurados; eram acontecimentos! Claro que hoje a televisão tem outro ritmo. Tudo é mais veloz, mais enxuto. Então a composição precisava dialogar com essa linguagem contemporânea sem perder essa herança teatral.”
O termômetro do palco e a frieza dos algoritmos
Ao avaliar a resposta do público, GAHBI pontua que o stand-up oferece um retorno instantâneo e honesto por meio das risadas da plateia, funcionando como uma conversa direta. Por outro lado, o universo digital exige um exercício constante de desapego, já que o algoritmo é imprevisível.
Segundo o comediante, seu processo criativo prioriza a experiência física dos palcos com o projeto Banheirão da Casa antes de adaptar o conteúdo para a dinâmica acelerada das redes sociais:
“No fundo, continuo acreditando que o humor nasce da escuta. Primeiro escuto a plateia. Depois escuto os números. Mas nunca deixo que os números escrevam a piada.”
O ritmo que vem do corpo e das pistas de dança
A expressividade corporal do ator começou muito antes de sua estreia na televisão, quando buscou as aulas de dança de salão para destravar os movimentos. Posteriormente, sua passagem acadêmica pelos cursos de Artes Cênicas da UnB e da UNIRIO consolidou o entendimento de que a construção de um personagem une a força das palavras à consciência do movimento.
De acordo com o artista, os fundamentos do teatro físico e da dança clássica também se manifestam de maneira sutil em suas apresentações de comédia em pé:
“Curiosamente, essa consciência também aparece no stand up comedy, ainda que a proposta seja diferente da cena teatral construída numa dramaturgia. A gente costuma pensar que a piada mora só no texto, mas ela também mora no silêncio, no olhar, numa pausa, numa mudança de postura. O corpo também conta piadas.”
Humor sem barreiras e a força da representatividade
O sucesso do Banheirão da Casa, noite fixa de stand-up voltada ao público LGBTQIA+ na Casa da Comédia Carioca, é celebrado por GAHBI como um marco importante de representatividade. O comediante ressalta a pluralidade do elenco do projeto, que quebra regras ao colocar corpos dissidentes no comando do microfone sem a necessidade de explicações ou autodepreciação.
Conforme defende o humorista, a arte possui a responsabilidade essencial de reconstruir o imaginário social, mostrando que a vivência da comunidade vai muito além dos recortes de sofrimento e violência:
“A gente também fala sobre amor, paquera, tesão, amizades, família, trabalho, sonhos, cultura pop, boletos… (risos). A vida inteira cabe numa piada. O mais bonito é perceber que nosso público é muito diverso. Não é uma plateia formada apenas por pessoas LGBT+. Todo moral ri junto.”
Parceria renovada nas telas do cinema
Além do sucesso na TV Globo, o artista também encerrou as filmagens de Garota, novo longa da diretora Rosane Svartman previsto para 2027 nos cinemas. Com um elenco estrelado por Giovanna Antonelli, a obra carimba a segunda parceria de sucesso entre GAHBI e a cineasta nas telonas, após integrarem juntos o projeto de Câncer com Ascendente em Virgem.
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