Política

Disputa à reeleição predomina no Distrito Federal; seis parlamentares buscam cargos maiores

A maior parte dos parlamentares do Distrito Federal deve disputar a reeleição em 2026, tanto no Congresso Nacional quanto na Câmara Legislativa (CLDF). O cenário também inclui pré-candidaturas ao Senado e tentativas de alçar novos cargos, indicando uma tendência de continuidade com rearranjos pontuais na política local.

Atualmente, o DF conta com oito vagas na Câmara dos Deputados e três cadeiras no Senado Federal, sendo duas em disputa em 2026. Dos oito deputados federais, seis devem tentar permanecer nos cargos. Erika Kokay (PT) e Bia Kicis (PL), anunciaram intenção de concorrer ao Senado.

No âmbito do legislativo, a CLDF dispõe de 24 cadeiras. Segundo levantamento do Brasil de Fato DF, apenas quatro não devem concorrer à reeleição. Fabio Felix (Psol), Thiago Manzoni (PL) e Daniel Donizet (MDB) vão pleitear uma vaga para deputado federal. Já Paula Belmonte (PSDB) é pré-candidata ao Governo do Distrito Federal (GDF).

Senado no radar

No Senado Federal, a disputa deve ocorrer em um ambiente de maior polarização no DF com as atuais deputadas federais Erika Kokai (PT) e Bia Kicis (PL) postulantes ao cargo.

Em entrevista recente ao Brasil de Fato DF, Kokay defendeu a aprovação do PL da Misoginia, que criminaliza condutas motivadas pelo ódio contra mulheres. Tema que enfrenta resistência da extrema direita na Câmara.

Já Kicis é uma das autoras do projeto que dificulta o aborto legal em crianças vítimas de abuso sexual. Além disso, ela atrasou a PEC da redução da jornada de trabalho na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). 

Diferentemente da Câmara Legislativa, onde predomina a tendência de continuidade, a corrida pelo Senado costuma atrair candidaturas com maior projeção e articulação política. As vagas em jogo concentram esforços de diferentes campos políticos para projetar nomes com trânsito nacional.

As eleições para o Senado em 2026 ganham ainda mais relevância por influenciarem diretamente a correlação de forças no Congresso Nacional. É a Casa responsável por decisões estratégicas, como a análise de indicações para tribunais superiores e o julgamento de autoridades.

Para a advogada e analista política Talita Victor Silva, a disputa colocada é entre dois projetos distintos de país. “Se a direita trabalha para eleger mulheres conservadoras comprometidas com sua agenda de retrocessos, faz sentido que o campo democrático também construa uma estratégia comum capaz de disputar as duas vagas, em todos os estados e no DF”, analisou em artigo publicado no Brasil de Fato DF

Dos atuais representantes da capital no Senado, Leila Barros (PDT), que representa o campo democrático, e Izalci Lucas (PL), de extrema direita, são cotados para tentar a reeleição.

Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária
Eleição deste ano vai renovar 54 dos 81 cadeiras do Senado | Crédito: Marcos Oliveira/Agência Senado

Maioria deve tentar novo mandato

Na CLDF, o cenário para 2026 indica uma tendência de continuidade. A maioria dos atuais 24 deputados distritais articula a permanência na Casa, apoiada em bases eleitorais já estruturadas.

Levantamento do Brasil de Fato DF aponta que nomes como Chico Vigilante (PT), Gabriel Magno (PT), Max Maciel (Psol) e Dayse Amarilio (PSB) já indicam a intenção de permanecer na Casa. O mesmo movimento é observado entre parlamentares de diferentes campos políticos, entre eles, Hermeto (MDB), Jaqueline Silva (MDB), Joaquim Roriz Neto (PL), Doutora Jane (MDB) e Eduardo Pedrosa (União).

Ao mesmo tempo, alguns nomes conhecidos da política local articulam voos mais altos, para além da Câmara Legislativa. É o caso de Fábio Felix (Psol), Daniel Donizet (MDB) e Thiago Manzoni (PL), apontados como possíveis candidatos à Câmara dos Deputados, mirando a ampliação de sua atuação política no plano nacional.

Já Paula Belmonte (PSDB) deve entrar na disputa pelo Governo do Distrito Federal, o que pode redesenhar alianças e tensionar o cenário local. Além dela, o deputado Rogério Morro da Cruz (PRD) se coloca como independente na CLDF.

Lei do BRB

A configuração política da CLDF atualmente reflete uma maioria de parlamentares alinhados ao governo Celina Leão (PP). Um termômetro da atual legislatura ocorreu na votação que autorizou a recapitalização do Banco de Brasília (BRB) depois de operações com o Banco Master e investigações envolvendo ex-dirigentes.

Encampada pelo governo Ibaneis Rocha/Celina Leão, a proposta mobilizou a base aliada e encontrou forte resistência da oposição, em um debate sob críticas pela falta de transparência e fiscalização para a operação estimada em R$ 6,6 bilhões.

Na prática, o placar da Lei do BRB mostrou a configuração política na CLDF, que deve se manter como referência na disputa eleitoral de 2026.

Veja como votou cada deputado distrital:

Votaram contra (NÃO): Chico Vigilante (PT), Dayse Amarílio (PSB), Fábio Felix (Psol), Gabriel Magno (PT), Jorge Vianna (PSD), Max Maciel (Psol), Paula Belmonte (PSDB), Ricardo Vale (PT) e Rogério Morro da Cruz (PRD).

Votaram a favor (SIM): Eduardo Pedrosa (União), Hermeto (MDB), Iolando (MDB), Jaqueline Silva (MDB), Joaquim Roriz Neto (PL), Martins Machado (Republicanos), Pastor Daniel de Castro (PP), Pepa (PP), Robério Negreiros (Podemos), Roosevelt Vilela (PL) e Wellington Luiz (MDB).

Abstenção e voto: Doutora Jane (Republicanos)


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Brasil de Fato

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