Dona do Snapchat lança óculos de realidade aumentada em aposta na era pós-smartphone

A Snap, empresa controladora do Snapchat, lançou nesta terça-feira (16) os óculos de realidade aumentada Specs, que são a aposta da empresa para se posicionar na era pós-smartphone.
O modelo foi apresentado no salão Augmented World Expo de Long Beach, na Califórnia. Segundo a empresa, estes serão os primeiros óculos de realidade aumentada autônomos destinados ao público geral.
Com o Specs, a Snap mira um ponto intermediário entre os óculos da Meta e os que em breve serão oferecidos pelo Google, e os headsets de realidade mista.
O CEO, Evan Spiegel, disse que a ideia é que os óculos sejam mais sofisticados do que um simples acessório do celular e, ao mesmo tempo, mais leves e confortáveis do que os headsets de realidade mista, que embora muito potentes e imersivos, são volumosos e tendem a isolar o usuário do que acontece ao seu redor.
Os óculos com tela integrada, como os Ray-Ban Display da Meta ou o dispositivo planejado pelo Google, dão “a impressão de ter uma minúscula tela de celular grudada no olho”, explicou Spiegel: os Specs, por outro lado, analisam o ambiente para sobrepor objetos digitais em 3D que interagem com a visão real.
A Snap se orgulha também de um preço inferior ao dos headsets de realidade mista, como o Vision Pro da Apple, lançado a US$ 3.499. A baixa procura pelo produto levou a Apple a encerrar o desenvolvimento dos óculos, segundo vários veículos de comunicação.
“A US$ 2.195, podemos pegar essa tecnologia realmente, realmente avançada e tentar colocá-la nas mãos do maior número de pessoas possível”, afirmou Spiegel.
O mercado ainda é incipiente. A Meta domina com seus Ray-Ban Display. O Google anunciou óculos conectados para o final do ano, e a Samsung comercializa desde outubro um headset que funciona com o sistema Android XR do Google.
Consultado pela AFP, Spiegel não revelou margens de lucro, volumes de produção nem metas de vendas, e explicou que mede o sucesso dos Specs pela criatividade dos desenvolvedores mais do que por indicadores financeiros.
O lançamento ocorre em meio a demissões da Snap, que está no vermelho desde sua abertura de capital em 2017. A empresa cortou em abril cerca de mil postos de trabalho, o equivalente a 16% de seu quadro de funcionários.
O grupo reportou quase 956 milhões de usuários mensais do Snapchat no primeiro trimestre do ano.
Folha de São Paulo>



