Política

Dos 195 candidatos a governador, há apenas 77 negros e três indígenas

Um levantamento feito pelo Brasil de Fato mostra que, do total de 195 candidaturas oficializadas aos governos dos 27 estados do país, 77 candidatos se declaram negros, grupo formado por pretos e pardos, o que corresponde a 39,5% do total de concorrentes. O número confirma a população negra como a principal força de diversidade na disputa, embora ainda distante da proporção de pretos e pardos na sociedade brasileira, que é de 55,5%.

No espectro ideológico, a presença negra encontra abrigo na esquerda e centro-esquerda. Dos 77 candidatos negros lançados na corrida estadual, 41 estão filiados a legendas progressistas, o que equivale a 53,3% desse contingente.

O PSTU lidera a lista com 11 candidatos negros, seguido de perto pelo PCO, com dez nomes, e pela Unidade Popular (UP), que lançou sete concorrentes. Completam a lista no campo progressista o Psol, com cinco postulantes, o PCB, com quatro, além de PSB e PT, que contam com dois candidatos negros cada um no comando de chapas estaduais.

Do total de 77 candidatos negros na corrida eleitoral, apenas 12 são mulheres, o que equivale a 15,6% desse contingente.

Em termos comparativos com a eleição de 2022, o cenário mostra um avanço tímido na representação proporcional de pretos e pardos. Nas eleições de 2022, foram registrados 223 candidatos aos governos de estado, dos quais 86 eram negros, o que representava 38,6% do total de postulantes.

Embora o número absoluto tenha caído de 86 para 77 em razão do enxugamento geral de candidaturas registrado em 2026, a proporção de negros na disputa cresceu 0,92 ponto percentual, registrando uma alta de 2,39% na participação relativa em relação ao pleito anterior.

Presença marginal

Apesar da consolidação de pretos e pardos como quase 40% dos nomes na urna, outros grupos étnico-raciais seguem com presença extremamente marginal no debate majoritário estadual. Das 195 candidaturas, apenas três são indígenas, equivalendo a escassos 1,5% do total de postulantes, representadas por Isael Munduruku (Rede) no Amazonas, Daniel Lemes (PCO) em Mato Grosso do Sul e Jerônimo Rodrigues (PT) na Bahia.

A participação de candidatos amarelos é ainda menor, com somente dois nomes oficializados na disputa pelos palácios estaduais, correspondendo a 1,0% dos concorrentes: Clébio Genuino (PCO) em Roraima e Tayná Miessa (UP) no Paraná.




Brasil de Fato

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