‘É 13’: Anitta declara voto em Lula e diz que bolsonarismo vive de ódio

A cantora Anitta declarou voto no presidente Lula (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, e fez críticas ao bolsonarismo. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta sexta-feira (9), a artista afirmou que o movimento explora a complexidade dos debates políticos para confundir eleitores, estimula o ódio e transforma divergências em conflitos pessoais e familiares.
“Por isso que eu não chamo o bolsonarismo de direita, eu não chamo, chamo de bolsonarismo”, afirmou. Para Anitta, a direita e a esquerda de outros períodos históricos disputavam projetos de governo e respeitavam as regras democráticas, enquanto o bolsonarismo se sustenta no que classificou como “bafafá midiático”, na idolatria a um país estrangeiro e no estímulo à briga entre brasileiros.
A cantora criticou os ataques às urnas eletrônicas sem apresentação de provas e a incitação a golpes de Estado em caso de derrota. Também condenou o uso da religião para mobilizar eleitores e associar adversários políticos ao mal.
“É fazer o povo acreditar que partido político é uma escolha entre família e Jesus Cristo, e a promiscuidade, o capeta”, disse. Anitta também denunciou o discurso de ódio contra pessoas LGBTQIA+, pessoas negras e mulheres, além do rompimento de vínculos familiares e de amizade motivado por divergências políticas.
“A gente não devia ser obrigado a odiar quem a gente ama, que já ajudou a gente na vida, que nos criou, gente da nossa casa, um amigo que a gente gosta de conviver, mas quem começou isso foi o bolsonarismo”, afirmou.
Redes e debate político
Anitta reconheceu que subestimou a força eleitoral do bolsonarismo ao acreditar que Lula venceria a eleição no primeiro turno. “Eu confesso que esse ano eu fui bem ingênua, eu tava convencida de que o Lula ia ganhar no primeiro turno, por uma arrogância minha mesmo”, declarou.
A artista também afirmou que pretende continuar estudando política e reconheceu que nem todas as pessoas dispõem de tempo ou disposição para se aprofundar nos temas antes de votar. Para ela, no entanto, a simplificação promovida pelas redes sociais é insuficiente para explicar questões complexas.
“A internet parece ser uma ótima solução para simplificar os assuntos, mas, para questões muito complexas, é impossível uma resposta ser simples assim. A política é complexa”, destacou.
Ao justificar o voto em Lula, Anitta ponderou que os problemas do governo petista não devem apagar os resultados das políticas públicas voltadas à população mais pobre.
“O fato de você enxergar as problemáticas políticas em torno do Lula, que não podem ser ignoradas, isso não pode apagar os benefícios que os projetos trouxeram e ainda trazem há anos para tantas pessoas necessitadas”, disse.
Artista defende posicionamento para além das eleições
Anitta também destacou que seu posicionamento político não se resume a declarar voto durante a campanha eleitoral. A cantora citou o apoio a causas relacionadas aos direitos das mulheres, aos povos indígenas, ao meio ambiente e ao combate ao racismo religioso. Também mencionou iniciativas pelo fim das bets e da escala de trabalho 6×1, além de autorizar o uso de uma de suas músicas em uma campanha.
“Posicionamento para mim, que é todo dia, tá em quem você escolhe para trabalhar com você, tá nas suas entrevistas, tá na sua obra de arte”, pontuou.
A cantora disse ter perdido milhões de seguidores por causa de suas posições políticas e defendeu que o compromisso com determinadas causas precisa ser mantido ao longo do tempo, não apenas quando o assunto ganha repercussão nas redes sociais.
“Posicionamento não é um dia, não é na hora que se quer, não é na hora que tá virando trend na internet. Posicionamento é todos os dias”, declarou.
Ao final do vídeo, Anitta afirmou que suas escolhas cotidianas refletem os valores que defende e reafirmou o apoio ao presidente. “Meu voto é 13, meu voto é Lula, porque não tem como ser diferente disso diante de todas as circunstâncias que o Brasil tá vivendo agora”, concluiu.


