El Niño gera preocupação para o setor segurador


O presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseg), Daniel Nascimento, disse que o orçamento previsto para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) em 2027, de R$ 1,2 bilhão, ainda está “muito aquém do que o mercado necessita” .
Ele destacou a preocupação do setor com a ocorrência do El Niño de intensidade muito forte na safra 2026/27 e para o cenário de endividamento e descapitalização no campo, que pode ser agravado sem o apoio nas apólices.
Na avaliação do Observatório da FGV, seriam necessários R$ 2,37 bilhões para retomar o patamar de cobertura registrado em 2021, de quase 14 milhões de hectares, cerca de 16% da área agrícola do país. Com isso, haveria necessidade de recomposição de R$ 1,17 bilhão no PLOA 2027 durante a tramitação no Congresso Nacional.
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“O PLOA 2027, como está, não recompõe o seguro rural. Ele prevê metade do necessário, condiciona a maior parte do orçamento a nova decisão política e mantém o país preso a uma lógica cara: economiza pouco antes da safra e paga muito mais depois, por meio de perdas de produção, crédito problemático, Proagro e renegociações”, disse Pedro Loyola, coordenador do Observatório.
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) criticou a divisão de fontes dos recursos e indicou a necessidade de recomposição do orçamento. A vice-presidente da FPA, senadora Tereza Cristina (PP-MS), disse que o movimento agrava o cenário do setor. “A falta de previsibilidade pode trazer ainda mais danos para toda a agropecuária, porque o produtor já está endividado e o risco climático aumentou com o El Niño”, disse, em nota.
A bancada ruralista ainda tenta votar nesta semana, no esforço concentrado do Senado Federal, o projeto de lei 2.951/2024, que dá proteção e previsibilidade à aplicação do orçamento do PSR.
Em 2026, o orçamento inicial do PSR foi de R$ 1,017 bilhão. Houve cancelamentos de R$ 82 milhões e o valor caiu a R$ 935,6 milhões. Desses, R$ 461,7 milhões estão bloqueados. Do montante efetivo para uso em 2026, de R$ 473,8 milhões, R$ 148,6 milhões foram “empenhados” até agora.
A medida significa que o dinheiro “existe” e pode ser executado na política. Os outros R$ 323 milhões seguem sem previsão de liberação pela União às vésperas do fim da janela de comercialização das apólices, até setembro.
Consultados, o Ministério da Agricultura e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) não responderam até o fechamento desta edição
Globo Rural



