Eleições 2026: Efeito Trump: cai o comércio com EUA e China avança no Brasil

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Na próxima quarta-feira (15/7) acaba o prazo previsto em lei para a agência de defesa comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) apresentar a Donald Trump suas recomendações sobre o futuro do comércio com o Brasil.
Empresários e diplomatas dos dois países consideram improvável que empresas brasileiras escapem de um novo tarifaço (até 37,5%) nas vendas para o mercado americano a partir de agosto.
É uma questão política, dizem, a forma que Trump encontrou para legitimar sua política de afirmação do poderio dos EUA no comércio com uma centena de países, entre eles, o Brasil. Como ocorreu no ano passado, o novo tarifaço poderá ter impacto no ambiente eleitoral brasileiro. Por enquanto, é imprevisível.
O tarifaço de 2025 (até 50% em produtos brasileiros) foi derrubado na Justiça, em parte por iniciativa das empresas importadoras e grupos de lobby dos consumidores americanos. Agora o USTR trabalha na restauração dos meios de arrecadação no acesso ao mercado dos EUA.
Os resultados mais recentes sugerem que a ofensiva de Trump está produzindo efeito oposto ao que ele diz desejar na disputa com a China na América do Sul. O caso do Brasil parece exemplar. Os Estados Unidos começam a perder “espaço” comercial para a China e, por consequência, se reduz o seu poder de influência na maior economia latino-americana.
Nada irreversível, por enquanto. Os dados sobre o comércio brasileiro no primeiro semestre, porém, são eloquentes. De janeiro a junho, as exportações brasileiras para o mercado americano caíram de forma significativa (-13,0%) na comparação com os primeiros seis meses do ano passado. Somaram 17,4 bilhões de dólares. A queda também foi expressiva (-12,5%) nas importações, com um recuo para 18,9 bilhões de dólares.
No comércio com a China foi tudo ao contrário. As vendas para o mercado chinês tiveram forte crescimento (21,9%) no primeiro semestre deste ano, em relação com igual período de 2025. Fizeram fluir 58,3 bilhões de dólares para o caixa dos exportadores brasileiros. As compras na China também aumentaram com vigor (8%), chegando à soma de 38,5 bilhões de dólares.
Não significa que vá continuar assim, necessariamente. Até porque esse quadro de comércio não é politicamente salutar para o Brasil, os EUA e nem para China. Ele implica em aumento gradual da já elevada dependência do Brasil do mercado chinês nas exportações de produtos primários (soja, milho, petróleo e minério de ferro). Na contramão, significa alta dependência da China de um fornecedor global.
Para os EUA, representaria perda de mercado relevante e, no limite, de posição hegemônica na economia brasileira, onde empresas americanas ainda são as principais investidoras estrangeiras — investimentos da concorrência chinesa cresceram 6,1 bilhões de dólares no ano passado, com um aumento de 45% em relação ao ano anterior, informa o Conselho Empresarial Brasil-China.
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