Eleições 2026: Fuga de Flávio Bolsonaro abre espaço para Tarcísio liderar oposição

“Mudança”, repetia Flávio Bolsonaro na campanha eleitoral. Dois dias depois da derrota nas urnas, ele cumpriu a promessa literalmente — mudou-se para os Estados Unidos.
Em Brasília, sobrou bom-humor nas análises sobre a fuga do candidato do Partido Liberal. Ele está sob investigação há meses por várias transações financeiras suspeitas durante o mandato de senador pelo Rio, que termina em janeiro.
Flávio Bolsonaro deixou aliados atônitos dentro e fora do Partido Liberal. Acham que ele, simplesmente, jogou pela janela os 59,8 milhões de votos recebidos da metade do eleitorado contrária a outro governo Lula.
Perdeu a eleição presidencial no domingo, mas ficou em posição de força para disputar a liderança da oposição. Por isso, estavam previstas reuniões com parlamentares do Partido Liberal para debater a organização no Congresso e o rumo da oposição a Lula. Sem aviso, viajou para a Flórida com a família.
Estava no avião quando o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, divulgou um discurso gravado, reconhecendo a vitória de Lula. Ele fez exatamente o contrário de Flávio Bolsonaro, que negou a derrota, reivindicou anulação da eleição e cassação do vencedor.
“Reconhecer o resultado não significa calar sobre os excessos”, disse. “O uso da máquina, programas lançados fora do prazo, a interferência do Judiciário… Tudo isso marcou esta eleição e precisa deixar lições.”
“A eleição passou”, continuou. “A eleição passou, mas não passam as imagens… O povo nas ruas, vestido de verde e amarelo, tomado por um sentimento de mudança. Foram quase 60 milhões de brasileiros, e a cada um de vocês, obrigado.”
Tarcísio de Freitas se reelegeu pelo partido Republicanos com 14,4 milhões de votos (62% do total), no primeiro turno, no estado mais rico e onde vive parte expressiva (21%) do eleitorado brasileiro. Ele conduziu a campanha paulista de Flávio Bolsonaro, que terminou o segundo turno com 14,1 milhões de votos no estado.
No vídeo, o governador paulista falou como se tivesse sido candidato à presidência: “Obrigado, Flávio, por caminhar com a gente. Foi incrível essa caminhada.”
Na sequência, se apresentou como líder da oposição: “A direita brasileira recebeu das urnas uma responsabilidade, recebeu força no Congresso e nos Estados. Agora é hora de unidade, de uma oposição vigilante, que cobre responsabilidade fiscal, que proponha aquilo que melhora a vida das pessoas e que fiscalize de perto quem governa pelos próximos quatro anos.”
Prosseguiu: “Ontem (segunda-feira, 26/10) vimos investidores saindo, a bolsa despencando, empresas perdendo valor, o câmbio disparando. As promessas de campanha precisam ser examinadas com rigor, porque a conta sempre chega para o contribuinte.”
“A eleição passou”, acrescentou, “mas não passou o desejo de ministérios com gente técnica e séria, de um governo que corte gastos e tire o peso dos impostos das costas do cidadão. De um País que não gaste mais com juros da dívida do que com saneamento básico, saúde e educação. De um País que incentive quem empreende e tire as pessoas da vulnerabilidade; que corte privilégios antes de pedir sacrifício; que combata o crime de verdade, não só no discurso”.
Segundo o governador de São Paulo, “esse desejo tem nome, chama-se ‘Projeto de País’”.
Aparentemente, um novo ciclo começou para a oposição derrotada. Nele, haveria mais Tarcísio de Freitas e menos Flávio Bolsonaro, que encolheu ao fugir para os Estados Unidos pouco depois de ter recebido 59,8 milhões de votos para a presidência do Brasil.
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