Erika Hilton deixará o PSOL e migrará para o PT em janeiro, afirmam correligionários

A deputada federal reeleita Erika Hilton (PSOL-SP) deve deixar o PSOL e migrar para o PT a partir de janeiro, dizem correligionários da congressista pertencentes à Primavera Socialista, corrente dela na legenda.
Segundo estes psolistas, a relação entre Erika e a sigla se deteriorou nos últimos meses. Ela deu sinalizações recentes de que estaria descontente com a estratégia eleitoral do partido, como a distribuição do fundo partidário e a negativa de formar uma federação com a agremiação de Lula.
O Painel procurou a deputada federal por mensagens em vários dias até a última quarta-feira (21), mas ela não respondeu.
Estes correligionários citam um acordo com o partido para a saída antes da posse da nova legislatura, em fevereiro. A legenda teme que a saída de Erika leve outros quadros da agremiação a mudarem de partido. Entre os nomes estão a deputada federal eleita Natalia Boulos, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos e a ex-ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara.
Estes nomes, junto da deputada federal, fazem parte da Revolução Solidária, mesma corrente partidária, que defendia a entrada do PSOL na federação do PT, hoje com PV e PCdoB. Para o grupo, a união era necessária para conter o avanço do bolsonarismo no país.
A Primavera Socialista, que preside o PSOL, se opôs à federação. Segundo a corrente, a sigla não poderia lançar muitas candidaturas se estivesse junta com o PT devido ao limite de postulantes ao Legislativo, que é dividido entre as legendas da união.
Erika já tinha demonstrado insatisfação com a direção do partido. Ao Painel, ela falou que a agremiação cometeu o que considera um erro estratégico ao não formar federação com o PT, para o qual deve migrar. Ela também citou a não valorização de candidaturas, para ela, com potencial de votação em São Paulo e em outros estados brasileiros.
Na entrevista, ela afirmou ter aberto diálogo com outros partidos políticos. “Já conversei com o próprio PT. Eu vou me reservar a dizer que tenho tido diálogo com o PT.”
Em resposta, a presidente da sigla, Paula Coradi, disse à coluna Mônica Bergamo que a direção está aberta ao diálogo com a deputada.
“O PSOL tem orgulho da reeleição e da votação histórica de Erika Hilton à Câmara dos Deputados e também avalia como de máxima importância o papel da parlamentar na luta pelo fim da escala 6×1“, diz Coradi.
Erika Hilton foi a mulher mais votada para a Câmara no pleito deste ano e ficou em terceiro lugar no ranking geral, com cerca de 1,5 milhão de votos. Ela atribui o resultado à atuação digital e à defesa de pautas diretamente ligadas ao trabalhador, como a redução da jornada de trabalho, aprovada no Legislativo.
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Folha de São Paulo



