Política

Eleições 2026: Mendonça x Moraes: conflito mostra racha no STF, que é alvo eleitoral

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Na política, o que é ruim sempre pode piorar. A um mês das eleições, a crise avança como rio de enchente pela Praça dos Três Poderes, em Brasília.

Em conflito, Supremo Tribunal Federal, governo e oposição se mostram cada dia mais enredados em relatos policialescos sobre corrupção com patrocínio e beneficiários políticos.

É o que se vê nos relatórios públicos sobre fraudes bilionárias no Banco Master, no INSS e nas emendas parlamentares ao Orçamento, entre outras.

É daquelas crises de que não se sabe o rumo, nem vítimas ou danos, mas tem epílogo previamente conhecido: não haverá vencedor.

O caso do STF é eloquente. O tribunal encalacrou-se no próprio enredo de sucessivos atropelos da Constituição — da Operação Lava Jato aos casos de fraudes no INSS e no Banco Master.

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Pela primeira vez, o Supremo entrou no alvo de uma campanha eleitoral. Alguns candidatos à Presidência da República e ao Senado se referem ao órgão judiciário como se fosse adversário político.

É uma grande confusão institucional. Nela predominam interesses privados dos dois candidatos mais destacados nas pesquisas sobre a disputa para a Presidência da República: Lula que tenta a reeleição e tem um dos filhos sob investigação nas maracutaias do INSS; e, Flávio Bolsonaro, que já confessou ter recebido dezenas de milhões de reais em transações obscuras com o antigo dono do Banco Master, há cinco meses em prisão preventiva por trapaças em série.

Os casos que envolvem governo e oposição, nos quais Lula e Flávio Bolsonaro têm interesses pessoais, estão concentrados na mesa do juiz André Mendonça.

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Ele é visto no Palácio do Planalto e na cúpula da Polícia Federal como um aliado do clã Bolsonaro — foi o ex-presidente quem o indicou ao STF em 2021.

Meses atrás, Mendonça proibiu investigadores dos casos Master e INSS de relatar resultados das apurações aos respectivos chefes sem a sua permissão.

Efeito colateral foi a semeadura de suspeitas sobre eventuais vazamentos de informação em investigações sobre os casos INSS e Master no circuito PF-Planalto. Provocou ira no Planalto e na PF

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Outra sequela foi a evidência de um racha dentro da corporação policial — atestada dias atrás, em pleno processo eleitoral, num inédito manifesto político de 27 chefes da PF endereçado ao juiz do Supremo, sem mencioná-lo.

No Senado já superam uma centena os pedidos de impeachment de juízes do Supremo. São campeões de requerimentos Alexandre de Moraes e José Antonio Dias Toffoli.

É uma situação curiosa. Moraes foi responsável pelos processos contra Jair Bolsonaro e aliados na intentona do verão de 2023. E Toffoli foi um dos que tentaram convencer Jair Bolsonaro, no segundo semestre de 2022, a entregar o poder no rito constitucional — o juiz atuou em parceria com o então procurador-geral Augusto Aras.

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Moraes e Toffoli são personagens centrais em dois relatórios policiais que somam 400 páginas nos autos sobre o caso Master. Desse total, 188 páginas foram divulgadas nesta terça-feira (3/9) e são dedicadas a detalhes do relacionamento de Moraes e família com o antigo dono do Master, Daniel Vorcaro.

Mendonça viu no relato da PF motivos suficientes para submeter o caso Moraes & Vorcaro a uma sessão plenária. Argumentou com a necessidade de o STF “analisar, de modo técnico e estritamente jurídico” a conduta do juiz Moraes, e decidir o que fazer “de forma pública e transparente, em sessão presencial”.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, contestou. Ele diz que Mendonça não tem um caso, porque não poderia mandar investigar outro juiz do STF — “sendo nula a ordem (à polícia) e o seu resultado”.

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Na prática, isso conduziria a um inédito julgamento de um juiz do Supremo no próprio tribunal. Considerada a disposição dos outros dez juízes, as chances de acontecer são próximas do zero absoluto. Preferem pagar o preço político no momento e, adiante, tentar influir na reforma do Judiciário que o Legislativo deverá discutir a partir de fevereiro.

Só falta combinar o roteiro com os eleitores. Em quatro semanas, eles decidem nas urnas como vai ser o novo Congresso.

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