Política

PGR explica ida de procurador a evento contra o Irã custeada pelos EUA

A Procuradoria-Geral da República (PGR) deu detalhes sobre a participação de Lucas de Morais Gualtieri em um evento no Paraguai, cujo objetivo é discutir o combate ao Irã na região. Segundo nota encaminhada ao Metrópoles, o procurador foi convidado para palestrar na reunião.

Gualtieri participará do workshop Combate ao Irã e seus Representantes nas Américas nos dias 16 e 17 deste mês. O procurador foi convocado devido ao seu trabalho no combate ao crime organizado e terrorismo. Os custos da viagem ficarão a cargo do governo dos Estados Unidos. 

“O Procurador da República Lucas Gualtieri foi convidado para palestrar em evento organizado na região da Tríplice Fronteira [entre Brasil, Paraguai e Argentina] sobre sua experiência de atuação na Operação Trapiche”, disse a PGR. “O evento discutirá técnicas de cooperação internacional e enfrentamento ao financiamento ao terrorismo, crime no Brasil.”

Gualtieri foi um dos procuradores que assinou a denúncia da Operação Trapiche, que mirou a atuação do grupo Hezbollah, do Líbano, no Brasil. Na época, um brasileiro foi condenado por vínculos com a organização libanesa.


O que está acontecendo?

  • O procurador Lucas de Morais Gualtieri vai participar de um evento no Paraguai, cujo foco é o “Combate ao Irã e seus Representantes nas Américas”.
  • A reunião está prevista para acontecer nos próximos dias 16 e 17 de setembro.
  • Segundo uma portaria da PGR, divulgada no Diário Oficial da União, as despesas da viagem de Gualtieri ao Paraguai serão pagas pelo governo dos Estados Unidos.
  • Os detalhes sobre o evento ainda não são claros.

A PGR informou que outras autoridades brasileiras, do Ministério Público (MP) e das polícias, foram convidadas para o encontro.

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Depois da Operação Trapiche, Gualtieri passou a frequentar diversos eventos sobre o enfrentamento ao terrorismo, tanto no Brasil quanto no exterior.

Em dezembro do último ano, o procurador lecionou o curso “Nexo crime-terror”, na Escola Superior do Ministério Público da União (ESPMU).

No mesmo mês, Gualtieri participou do Workshop “Enfrentamento das Conexões do Crime Organizado e Terrorismo entre América Latina e Oeste da África” e da “Primeira Reunião de Especialistas sobre Inteligência Artificial e Justiça Criminal Contraterrorismo”, ambos realizados em Buenos Aires, na Argentina.

Parte dos custos, como passagens aéreas, estadia e mobilidade, foram pagas pela organização International Institute for Justice and the Rule of Law (IIJ).

Já neste ano, o membro da PGR esteve na capital do Paraguai para ministrar uma aula no seminário “Desarticulação de Esquemas Financeiros Criminais e Terroristas”. Em junho, foi a vez de o procurador brasileiro visitar a sede da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) em Lyon, na França, para o 15º Treinamento do Grupo de Coordenação de Aplicação da Lei EUA-Europol (LECG) sobre combate ao Hezbollah.

Em nenhum dos eventos, contudo, foi detectado qualquer envolvimento direto de governos no financiamento dos custos das viagens internacionais. 

O Metrópoles entrou em contato com o Departamento de Estado dos EUA e questionou sobre os motivos que levaram o governo Trump a custear passagens, translado, hospedagem e alimentação do procurador brasileiro. Até a publicação da reportagem, não houve retorno. O espaço segue aberto.

Segundo a PGR, a participação de Gualtieri é pautada na “estrita obediência à Constituição e às leis brasileiras”.

A reportagem também não localizou qualquer dado público sobre o evento, como organizadores, anúncios, data ou local.


Metrópoles

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