Economia

Eleições nos EUA podem levar a novo rali em Wall Street? JPMorgan aponta vencedores

As eleições de meio de mandato (“midterms”) dos Estados Unidos, que acontecerão em 3 de novembro, se aproximam como um dos principais eventos políticos no radar dos mercados globais, mas, para o JPMorgan, o impacto sobre as ações pode depender menos de uma simples vitória de democratas ou republicanos e mais da configuração final do Congresso.

Em relatório de estratégia temática, o banco traçou três cenários para a votação: um Congresso dividido, chamado de Gridlock; uma “onda azul”, com democratas assumindo as duas Casas; e uma “muralha vermelha”, na qual republicanos mantêm o controle tanto da Câmara quanto do Senado. Para cada resultado, há setores e ações potencialmente mais favorecidos.

O pano de fundo histórico, de um modo geral, é favorável para a Bolsa. Desde 1950, o S&P 500 apresentou, em média, valorização de 1,3% no primeiro mês depois das eleições de meio de mandato, 7,1% em três meses, 13,4% em seis meses e 14,6% em 12 meses. A mediana em 12 meses foi de 13,6%.

Mas, vale ressaltar, o mercado norte-americano já chega à eleição com uma valorização anormalmente forte. O S&P 500 acumulava cerca de 60% desde o começo do atual ciclo presidencial, acima do ganho médio de aproximadamente 39% de um mandato completo desde 1950. O Nasdaq 100 avançava cerca de 75%.

Assim, embora a história sugira desempenho positivo depois da votação, parte do potencial pode ser limitada pelo ponto de partida elevado das ações.

Confira os cenários apontados pelos estrategistas do banco:

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Congresso dividido: saúde, defesa e algumas empresas de tecnologia

O cenário de Congresso dividido é visto pelo JPMorgan como favorável principalmente pela redução de riscos políticos, e não necessariamente pela criação de um novo catalisador de alta. Com dificuldade para aprovar mudanças legislativas mais profundas, diminuiria a possibilidade de alterações significativas em áreas como saúde, regulação tecnológica e política energética.

Na saúde, um Congresso dividido reduziria o risco de novos cortes no Medicaid e de ampliação da legislação federal sobre preços de medicamentos, o que poderia melhorar a relação entre risco e retorno de grandes farmacêuticas, empresas de tecnologia voltada à saúde e biotechs de pequeno e médio porte.

Defesa e infraestrutura também aparecem como possíveis vencedoras, sustentadas por prioridades com apoio bipartidário, como reposição de munições, programas militares plurianuais e recursos para projetos de infraestrutura já aprovados.

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Algumas empresas de tecnologia, por sua vez, poderiam se beneficiar da menor probabilidade de novas regras federais abrangentes para inteligência artificial, privacidade de dados e questões antitruste, embora ações do Executivo e das agências reguladoras continuem sendo um risco.

Entre os nomes incluídos pelo banco na cesta para esse cenário estão ExxonMobil (XOM), Chevron (CVX), Amazon (AMZN), Eli Lilly (LLY), Broadcom (AVGO), Alphabet (GOOGL) e Meta (META). A cesta também inclui companhias não cobertas pelo banco, e o JPMorgan ressalta que sua inclusão não deve ser interpretada automaticamente como recomendação individual.

Vitória democrata: saúde e energia limpa no radar

Em uma “Blue Wave”, com os democratas conquistando as duas Casas do Congresso, o impacto da agenda partidária ainda seria limitado pela Casa Branca republicana, já que o presidente manteria poder de veto, além das restrições impostas pelo filibuster no Senado. Assim, o JPMorgan não projeta simplesmente a implementação de uma ampla agenda democrata.

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Os hospitais estariam entre os beneficiários mais claros caso os parlamentares adiassem ou revertessem cortes do Medicaid, preservando cobertura e, consequentemente, receitas de reembolso. Empresas de planos de saúde com maior exposição ao Medicaid também poderiam ganhar com uma base de usuários maior.

Utilities expostas a energias renováveis seriam outro grupo potencialmente favorecido por maior apoio à energia limpa, enquanto empresas de saneamento e serviços ambientais poderiam se beneficiar de mais recursos para água limpa e para a EPA.

A cesta de ações selecionada pelo banco para uma “Blue Wave” inclui nomes como Baker Hughes (BKR), Centene (CNC), Tenet Healthcare (THC), DraftKings (DKNG), Salesforce (CRM), ServiceNow (NOW), NextEra Energy (NEE) e Xcel Energy (XEL).

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Republicanos mantêm Congresso: IA, energia, bancos e defesa

É no cenário em que os republicanos preservam o controle das duas Casas, batizado pelo banco de “Red Wall”, que aparece uma lista mais ampla de potenciais beneficiários.

Nesse caso, o JPMorgan avalia que o ambiente de política federal seria particularmente favorável à expansão da infraestrutura ligada à inteligência artificial, sustentado por continuidade das políticas, possível expansão fiscal, desregulamentação e processos federais de licenciamento mais rápidos.

Datacenters, geração e transmissão de energia, redes elétricas e gasodutos poderiam favorecer empresas de equipamentos elétricos, geração distribuída, serviços de energia, engenharia, construção e materiais. Plataformas digitais também poderiam ser beneficiadas por um risco menor de legislação federal abrangente sobre IA.

Energia tradicional e nuclear aparecem entre os possíveis vencedores diante da expectativa de incentivos fiscais, expansão de áreas para exploração, apoio à produção e ao GNL e regulação ambiental mais leve.

Para o setor financeiro, o ganho poderia vir de supervisão regulatória menos rígida, potencial alívio nas regras de capital e elevação de determinados limites regulatórios. Bancos regionais estariam particularmente expostos à redução de custos de compliance e a uma eventual melhora da atividade de crédito comercial. Defesa e cibersegurança também seriam beneficiadas por gastos maiores com segurança nacional.

A cesta republicana engloba nomes como SLB (SLB), Baker Hughes (BKR), GE Vernova (GEV), Amazon (AMZN), Bank of America (BAC), Citigroup (C), Palo Alto Networks (PANW), Alphabet (GOOGL), Meta (META) e várias empresas ligadas à defesa e infraestrutura.

Tecnologia tem histórico favorável no pós-eleição

Além dos cenários partidários, o banco analisou como diferentes setores se comportaram historicamente no entorno das eleições de meio de mandato desde os anos 1990.

A tecnologia se destaca, com semicondutores registrando desempenho relativo acumulado de 7,2% na janela analisada pelo banco, enquanto software teve 4,2% e hardware de tecnologia, 3,7%.

Outro grupo apresenta um padrão diferente: costuma chegar pressionado à eleição e depois se recuperar. Bens duráveis e vestuário passaram, em média, de desempenho relativo de -0,6% no mês anterior para +2,9% no mês seguinte. Distribuição e varejo discricionário passaram de -2% para +1,5%, enquanto mídia e entretenimento foram de -1,1% para +1%.

Telecomunicações apresentam o padrão inverso: historicamente, saem de desempenho relativo positivo de 1,1% antes da votação para queda relativa de 2,4% depois. Produtos domésticos e de cuidados pessoais também passam de +1,6% para -0,2%.

Mercado subestima volatilidade?

Apesar do histórico favorável para ações após as eleições, o JPMorgan alerta para outro ponto: o mercado de opções parece incorporar apenas um prêmio modesto de risco eleitoral.

Historicamente, a volatilidade das ações dos EUA tende a aumentar nos meses anteriores às eleições de meio de mandato, com o índice VIX geralmente alcançando um pico aproximadamente um mês antes da votação e recuando posteriormente. Em 2026, porém, a curva do VIX estava bem abaixo dos níveis observados antes de eleições anteriores.

Por isso, o banco prefere posicionamento para uma alta do VIX antes da eleição, considerando tanto o padrão histórico quanto outros riscos macroeconômicos que podem ganhar força, entre eles juros, petróleo e Irã e disrupções relacionadas à inteligência artificial.

Infomoney

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