Política

Equipe de Flávio Bolsonaro prepara esposa para reforçar campanha em gesto a mulheres

A equipe do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) prepara a mulher dele, Fernanda Bolsonaro, para reforçar sua campanha à Presidência da República com o objetivo de tentar diminuir a resistência entre o eleitorado feminino.

O entorno de Flávio já planejava usar a imagem de Fernanda na campanha presidencial, mas a participação dela ganhou ainda mais peso e urgência depois da briga pública com a madrasta, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).

Fernanda deve passar por treinamentos para gravar vídeos e participar de mais agendas ao lado do marido a partir do mês que vem. A pré-campanha também quer aproveitar o fato de Fernanda ser dentista para que ela fale sobre propostas ligadas à saúde, incluindo saúde da mulher.

Depois que Flávio anunciou ter sido escolhido pelo pai, Jair Bolsonaro (PL), para disputar a Presidência, Fernanda criou perfis no Instagram e no X. Desde então, já gravou vídeos que reforçam a imagem do senador como um “Bolsonaro moderado”, preparado e dedicado à família.

“Não é à toa que você é o Bolsonaro moderado. Reeduquei ele. O povo brasileiro pode esperar um presidente com muita garra pra lutar por esse país, pra lutar por justiça”, diz Fernanda em uma das gravações feitas pela pré-campanha.

Após o vídeo em que Michelle diz que Flávio a maltratou, há duas semanas, Fernanda também publicou um texto nas redes sociais defendendo o marido. “Como esposa, eu escolho olhar para aquilo que vejo todos os dias: um homem leve, respeitoso, carinhoso, restaurado e um pai dedicado às nossas duas filhas”, escreveu.

Na quarta-feira (1º), Flávio levou a esposa para a reunião de trabalho organizada por ele com um grupo de mulheres, em Brasília. O senador citou Fernanda ao repudiar a fala do influenciador Paulo Figueiredo de que mulher vota mal.

“Eu me senti ofendido com a fala. A partir do momento em que ele generaliza a fala das mulheres, inclusive está falando da minha esposa. A minha esposa também está incluída nesse pacote de mulheres que não sabe votar?”, questionou o pré-candidato.

Fernanda foi citada no caso da “rachadinha”, uma das sombras da vida política de Flávio. As investigações foram encerradas após o STF (Supremo Tribunal Federal) e o STJ (Superior Tribunal de Justiça) anularem em 2021 as provas coletadas.

A quebra de sigilo bancário de Fernanda mostrou que o ex-assessor Fabrício Queiroz depositou R$ 25 mil em dinheiro vivo na conta dela dias antes de o casal quitar a entrada de um imóvel no Rio de Janeiro. Meses depois, às vésperas da segunda parcela, houve outro crédito em espécie, de R$ 20 mil.

A pré-campanha também tem reforçado a mensagem de que o senador é “pai de menina” como contraponto à declaração de Jair de que teve uma filha mulher depois de quatro filhos homens porque deu “uma fraquejada”.

Flávio participou do lançamento da pré-candidatura do senador Marcos Rogério (PL) ao Governo de Rondônia, em março, com uma camiseta com a frase “pai de menina” e repetiu a roupa em um vídeo divulgado em 1º de maio.

Apesar disso, o senador quer poupar as filhas, que são menores de idade, de exposição. Mesmo após o desgaste enfrentado com Michelle, a decisão está mantida, segundo aliados.

Além de aumentar a participação de Fernanda, a pré-campanha aposta em um eixo de propostas voltadas para as eleitoras. O plano, batizado de “Brasil Por Elas”, deve ser divulgado no próximo dia 15, em São Paulo.

O eixo tem sido coordenado pela ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques (Republicanos), que também é cotada a vice de Flávio. Em nome do senador, Daniella tem batido na tecla da necessidade de dar maior autonomia financeira para as mulheres.

A pré-campanha também quer abarcar a pauta da economia do cuidado e das mães atípicas —duas das bandeiras de Michelle. Segundo participantes da reunião realizada na quarta, uma das questões levantadas foi sobre a saúde das mulheres que cuidam de seus familiares.

Flávio também busca uma vice mulher para tentar minimizar sua rejeição. Segundo a matriz ideológica calculada pelo Datafolha, 44% das mulheres são classificadas à esquerda ou centro-esquerda, enquanto 37% ficam à direita ou centro-direita.

Entre homens, a relação se inverte: 50% estão à direita ou centro-direita, e 33%, à esquerda ou centro-esquerda. O centro reúne 18% das mulheres e 16% dos homens.

Folha de São Paulo

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