‘Esse povo deu uma lição aos poderosos’, diz Lula ao comemorar 81 anos

Dezenas de apoiadores de Lula se reuniram no Palácio da Alvorada, em Brasília, na tarde desta terça-feira (27), para comemorar os 81 anos do presidente. Ao som de músicas e com direito a bolo, o grupo acompanhou emocionado o pronunciamento do petista, reeleito para um quarto mandato, que agradeceu ao povo brasileiro pela continuidade de seu governo.
Ao lado da primeira-dama Janja Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e de sua esposa, Lu Alckmin, Lula destacou a resistência popular durante o segundo turno, quando venceu Flávio Bolsonaro (PL) por mais de 4 milhões de votos de diferença.
“Esse povo deu uma lição aos poderosos que não queriam que a gente continuasse governando esse país”, afirmou. Em seu pronunciamento, Lula citou a atuação de plataformas digitais, como a Meta, os interesses do governo dos Estados Unidos e setores do sistema financeiro, que, segundo ele, se opuseram à sua reeleição.
O presidente também agradeceu a mobilização social, especialmente da juventude, no processo eleitoral. “Minha gratidão à juventude, porque, quando percebeu que a democracia podia correr algum risco, não vacilou e foi para a rua. Sem perguntar para o partido, sem perguntar para mim ou para Alckmin, foram para a rua, porque eles sabem que, mesmo uma democracia tendo defeito, não tem nenhum regime que permita participação social como a democracia”, reforçou.
Fuga de Flávio
A fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, confirmada na tarde desta terça, também foi comentada pelo presidente. “Eu tô imaginando que culpa tem na consciência um cidadão que acaba de perder as eleições e foge do seu país. Quando fui acusado, tive muito convite para sair do Brasil e resolvi ficar, resolvi me entregar na Polícia Federal porque eu queria desmascarar os meus acusadores e provar a minha inocência”.
Membros do Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmaram à AFP que o governo Donald Trump concederá vistos para Flávio Bolsonaro e sua família. O ex-senador fugiu do país após uma determinação do Supremo Tribunal Federal para que ele entregasse seus passaportes às autoridades. Detalhes da fuga ainda não estão claros, mas diferentes veículos apontaram que Flávio teria ido para a Argentina e, de lá, partido de voo particular rumo aos Estados Unidos.
“Quem não deve não teme. Quem sai escondido do seu país é porque deve alguma coisa. Ele tem medo da justiça e vai dizer lá fora que o Brasil não tem democracia. Se o Brasil não tivesse democracia, um miliciano não poderia ser candidato à Presidência da República. Portanto, eu lamento a falta de respeito que ele teve com os eleitores dele e com a democracia brasileira”, destacou.
‘Vou viver 120 anos’

Ao final do discurso, o presidente reforçou que esse é seu último mandato e projetou uma futura comemoração com os apoiadores aos 120 anos.
“Quando eu tiver completado 120 anos, quero ir correndo no lugar que vocês estiverem para dizer se a gente gosta da vida, a gente vive. Eu quero que vocês saibam que eu gosto da vida, a vida é muito boa”, encerrou Lula, agradecendo o carinho das pessoas que foram comemorar o aniversário.
Apoiadores destacam defesa da democracia
Entre os presentes, a comemoração também foi marcada por manifestações de apoio ao governo e pela defesa da democracia.
“Esses quatro anos, com certeza, nós vamos ver o nosso Brasil avançar bastante, não só aqui, mas no mundo como um todo, porque o Lula é uma figura que é reconhecida e respeitada. E hoje aqui, viemos cantar parabéns e desejar muita saúde para o nosso presidente nesses próximos quatro anos que vamos caminhar juntos”, afirmou Adenilse Maria de Araújo Silva.
A defesa da democracia também esteve presente no depoimento do bancário aposentado José Luiz da Silva.
“Estou aqui por conta da democracia do meu país. Conseguimos resgatar a democracia nesse segundo turno, para mostrar para o mundo que é possível enfrentar esse grande surto de extrema direita que existe hoje no mundo e o Brasil mostrou o caminho para derrotar os fascistas e construir um Brasil para todos e não para meia dúzia”, declarou.
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