Estudo mostra impacto que inflação dos alimentos pode ter na campanha presidencial

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Um estudo elaborado pela gestora de capitais Kinitro mostra o nível de importância que a inflação dos alimentos pode ter na campanha presidencial. De acordo com a empresa, a redução de 1 ponto percentual no poder de compra da população resulta numa queda automática de 0,4 ponto na avaliação positiva do governo ao longo de um trimestre.
O levantamento indica também que a carestia neutraliza os reflexos dos indicadores positivos da economia, como emprego e renda. As informações desse estudo explicam, por exemplo, os motivos que levaram o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, a explorar esse tema para tentar desgastar Lula há poucos meses da eleição. Explicam também as razões que fizeram o governo a reagir rápido às ofensivas do adversário do petista.
Há poucos dias, o filho de Bolsonaro publicou dois vídeos nas redes sociais sobre a alta do preço dos alimentos. Em um deles, o senador aparece num supermercado fazendo compras, reclamando do encarecimento dos produtos e fazendo comparações com os preços praticados em 2019, primeiro ano de mandato de Jair Bolsonaro.
Ciente de que o assunto tem potencial para afetar a popularidade de Lula num cenário que indica uma disputa acirrada contra Flávio Bolsonaro, o governo prontamente escalou Guilherme Boulos, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, para rebater os ataques.
Boulos chamou o senador de mentiroso e disse que os valores usados para fazer as comparações foram manipulados com objetivo de induzir o espectador a pensar que os preços aumentaram muito durante a gestão petista. O ministro afirmou ainda que a forma correta de estabelecer a comparação seria com os preços de 2022, no final do mandato de Jair Bolsonaro. “Perceberam o truque? Mais uma vez, Flávio Bolsonaro tenta enganar as pessoas. Um cara que manipula e mente até no mercado não merece a confiança de ninguém”, concluiu.
O estudo da Kinitro também destaca que a avaliação do governo Lula encontra resistência em vários segmentos porque o bem-estar da população está aquém da memória afetiva de consumo que as famílias tinham entre 2010 e 2015, quando o brasileiro médio tinha condições de comprar quase três cestas básicas com sua renda líquida. Hoje, esse índice caiu 20% em comparação àquele período.
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