Falso policial é preso suspeito de golpes em Goiás

Oito meses após o Mais Goiás publicar relatos de mulheres que denunciaram golpes financeiros de um homem que se passava por policial civil, o suspeito foi preso, em Goiânia. O mandado de prisão preventiva foi cumprido na última quarta-feira (7), durante a Operação Falso Distintivo, da Polícia Civil de Goiás. O caso que motivou a ação envolve um prejuízo estimado em R$ 100 mil a uma família.
Uma das mulheres que denunciaram o suspeito afirmou que recebeu a notícia da prisão com alívio. Para ela, a repercussão do caso e a prisão representaram um sinal de que as denúncias estavam tendo consequências. “Como se eu pudesse respirar um pouco depois de tanto desgaste emocional”, relatou.
“Para quem vive uma situação assim, ser ouvida e perceber que a denúncia teve consequências tem um significado enorme. Foi como pensar: finalmente, a Justiça está acontecendo”, disse ao Mais Goiás.
Segundo a Polícia Civil, o investigado utilizava falsas identidades e histórias inventadas para conquistar a confiança das vítimas e conseguir dinheiro. No caso investigado, ele teria enganado uma mulher com quem manteve um relacionamento, além da mãe dela, do irmão e de um amigo da família da vítima. Conforme a corporação, há 22 registros policiais anteriores relacionados ao suspeito.
Suspeito dizia ser herdeiro de fazenda
De acordo com as investigações, a principal vítima conheceu o homem em 2023, quando ele teria se apresentado falsamente como policial civil. Em 2026, durante um breve relacionamento, o suspeito afirmou ser herdeiro de uma grande propriedade rural e ter uma quantia elevada depositada em um banco. Segundo a mulher, ele alegava enfrentar problemas relacionados à fazenda, dificuldades bancárias e questões de saúde para pedir empréstimos temporários, com a promessa de devolver o dinheiro após resolver as supostas pendências.
A história teria convencido familiares e pessoas próximas da vítima. Segundo a Polícia Civil, o investigado aproveitava a confiança conquistada para fazer novos pedidos, apresentando diferentes justificativas para conseguir valores. Entre elas, estariam ofertas de passagens aéreas e de produtos de beleza que nunca teriam sido entregues. Quando as vítimas deixaram de fornecer dinheiro e passaram a cobrar a devolução dos valores, ele teria interrompido o contato. O prejuízo estimado nesse caso é de aproximadamente R$ 100 mil.
Ainda conforme a investigação, o homem costumava se comportar como se fosse policial, inclusive portando arma de fogo. A corporação apura as circunstâncias relacionadas ao armamento e busca identificar outras possíveis vítimas. A Justiça autorizou os mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, além do pedido de bloqueio de bens e valores do investigado.

Mais Goiás já havia revelado relatos de vítimas
Em fevereiro deste ano, o Mais Goiás publicou relatos de três mulheres que afirmaram ter sido vítimas de golpes financeiros atribuídos ao mesmo homem, identificado pelas iniciais M. V. R. S. As entrevistadas pediram para não serem identificadas. Durante a apuração, a Polícia Civil confirmou ao portal a existência de investigações em andamento em Anápolis e em Goiânia para apurar suspeitas de estelionato envolvendo o investigado.
Uma das mulheres contou que conheceu o homem em 2018, por meio de um aplicativo de relacionamento. Embora o envolvimento tenha sido breve e sem uma relação formal, os dois mantiveram contato pelas redes sociais ao longo dos anos. Segundo um boletim de ocorrência ao qual a reportagem teve acesso, em janeiro deste ano, o suspeito afirmou que visitaria a irmã no Paraguai e se ofereceu para trazer produtos do exterior. Para isso, pediu uma transferência antecipada de R$ 1,2 mil. Após receber o Pix, não entregou os produtos nem devolveu o dinheiro e bloqueou a vítima nas redes sociais e nos aplicativos de mensagens.
A mulher também relatou ter recebido ameaças após o episódio, com menções à morte, à violência física e à suposta posse de armas de fogo. Em um dos relatos, ela afirmou que o homem teria ameaçado levá-la para uma área rural onde seria fácil matá-la.
Compra de passagens áreas
Em outro caso, uma mulher contou que confiava no investigado por manter uma relação de amizade próxima com ele. Ela precisava comprar uma passagem de volta para Goiânia, partindo de Rondônia, mas enfrentava dificuldades devido ao custo do bilhete, que variava entre R$ 4 mil e R$ 5 mil.
O homem se ofereceu para emitir a passagem com milhas aéreas e pediu R$ 1,7 mil. Segundo a vítima, ele prometeu enviar o bilhete por e-mail, mas a passagem nunca chegou. Depois de apresentar justificativas relacionadas a problemas na emissão e dificuldades bancárias, deixou de responder às mensagens e bloqueou a mulher.
Pediu dinheiro para consertos em carros
Uma terceira vítima relatou que conheceu o investigado em 2024. Ele também dizia para ela que trabalhava na Polícia Civil e ofereceu um carro à mulher, alegando que o veículo precisava de reparos antes de ser entregue. Segundo ela, o homem passou a pedir dinheiro para supostamente custear os serviços, mas o carro não foi entregue conforme o combinado.
Os três relatos apresentavam estratégias semelhantes, com promessas condicionadas a pagamentos antecipados.
Polícia busca identificar outras vítimas
A investigação é conduzida pela 15ª Delegacia de Polícia de Goiânia, vinculada à 1ª Delegacia Regional de Polícia (DRP). Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam um celular e R$ 5 mil em espécie. Após prestar depoimento, o investigado foi encaminhado à unidade prisional, onde permanece à disposição do Poder Judiciário.
A Polícia Civil continua as investigações para esclarecer o caso e identificar possíveis novas vítimas. O homem é investigado por estelionato emocional.
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