Federação do PT formaliza apoio a Hugo Motta na Câmara e articula superbloco para isolar o PL

A federação partidária formada por PT, PV e PCdoB anunciou oficialmente o apoio à reeleição do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) para o comando da Casa. O anúncio foi consolidado nesta terça-feira (27) após uma reunião da bancada e um breve encontro com o próprio parlamentar nos corredores do Congresso.
Com a adesão do bloco de esquerda, a base de sustentação à candidatura de Motta chega a 15 partidos. Além da federação liderada pelo PT, já declararam apoio o Republicanos, PSB, PDT, PSD, MDB, Podemos, e as federações União Brasil/PP, PSDB/Cidadania e Solidariedade/PRD. A aliança repete o gesto das eleições de 2025, quando o PT integrou o bloco vitorioso de Motta e garantiu espaço de destaque na Mesa Diretora, ocupando atualmente a Primeira-Secretaria.
Estratégia para isolar o PL e controlar comissões
A decisão do PT vai além da manutenção de cargos no comando da Casa. Os petistas articulam ativamente para isolar o PL — partido do candidato à presidência derrotado, Flávio Bolsonaro — na definição dos postos na Mesa Diretora e na distribuição das presidências das comissões temáticas. O objetivo da legenda governista é barrar a participação do PL no bloco oficial de apoio a Motta.
Se a manobra for bem-sucedida, o impacto sobre a oposição será expressivo. Segundo projeções de técnicos do Congresso, a formação de um superbloco de ao menos 17 legendas garantiria aos partidos aliados as 15 primeiras escolhas de comissões.
Nesse cenário, o PL — que hoje teria direito às três primeiras opções por conta do tamanho de sua bancada — cairia para a 16ª escolha, sendo empurrado para colegiados de menor prestígio e perdendo a capacidade de ditar o ritmo de votações estratégicas, embora ainda preserve o comando de sete comissões.
Impasse na oposição e cautela no PSOL
Enquanto a base aliada avança, o PL segue sem posição oficial sobre o pleito. A sigla avaliava internamente lançar candidatura própria no contexto da presença de Flávio Bolsonaro no cenário político, mas ainda não bateu o martelo.
Do outro lado do espectro político, a federação PSOL-Rede também adota cautela e deve se reunir na próxima semana para decidir se adere ao bloco de Motta.
A eleição para a presidência da Câmara está marcada para fevereiro de 2027. O vencedor comandará os trabalhos do Poder Legislativo durante o biênio 2027-2028.



