Fifa autoriza bandeiras arco-íris no confronto entre Egito e Irã na Copa do Mundo

Torcedores poderão levar bandeiras arco-íris quando Egito e Irã se enfrentarem no Jogo do Orgulho de Seattle na Copa do Mundo, informou a Fifa nesta quinta-feira (25), ecoando comentários dos organizadores locais de que o símbolo representa os direitos humanos, apesar dos protestos dos dois países participantes.
A partida, à meia-noite de sexta-feira (de Brasília) pelo Grupo G, durante o fim de semana do Orgulho LGBTQIA+, foi batizada de Jogo do Orgulho pelo comitê organizador local de Seattle antes do sorteio de dezembro selecionar os dois países de maioria muçulmana onde a homossexualidade é criminalizada.
Egito e Irã protestaram após o sorteio, com a Federação de Futebol do Egito afirmando que tais eventos conflitam com seus valores culturais e religiosos.
Na quarta-feira (24), o The Athletic citou a Federação Iraniana de Futebol dizendo: “Nenhuma cerimônia ou atividade promocional associada a esse movimento deve estar presente dentro do estádio”. Um porta-voz da federação não respondeu aos pedidos de comentário da Reuters.
A Fifa, no entanto, afirmou que a Copa do Mundo é “um evento inclusivo que acolhe pessoas de todas as origens” e que bandeiras arco-íris são permitidas no estádio.
“Manifestações gerais de direitos humanos, incluindo bandeiras arco-íris e outras bandeiras representando orientação sexual e identidade de gênero, são permitidas… E podem ser exibidas dentro dos estádios”, disse a Fifa em comunicado nesta quinta.
A entidade enfatizou que as celebrações do orgulho são organizadas pelo comitê local da Copa do Mundo de Seattle e não pela entidade global do futebol.
“Haverá uma partida da Copa do Mundo Fifa em Seattle e, no mesmo dia, eventos organizados por organizações externas acontecerão na cidade”, disse o presidente da Fifa, Gianni Infantino, à revista suíça Die Weltwoche em janeiro. “Mas isso não tem nada a ver com a partida em si.”
‘É uma bandeira de direitos humanos’
Patti Hearn, diretora executiva do Seattle Pride, elogiou a posição da Fifa, dizendo à Reuters que “é uma bandeira de direitos humanos e é por isso que é permitida no estádio”.
“A bandeira arco-íris ou qualquer uma das bandeiras do Orgulho são apenas um símbolo de inclusão, de comunidade, de amor —e isso realmente não é ofensivo”, disse ela.
Ela observou que as celebrações do Orgulho não foram abraçadas por Egito e Irã, mas acrescentou: “Existem pessoas queer em todos os lugares e acho que, se pudermos oferecer a oportunidade para o palco mundial ver e experimentar como é estar em um lugar acolhedor e inclusivo…Acho isso ótimo.”
Bookda Gheisar, diretora de DEI do Porto de Seattle, que se descreveu como uma lésbica iraniano-americana, ecoou os comentários de Hearn.
Gheisar disse que havia uma contradição em Egito e Irã estarem envolvidos no jogo durante o fim de semana do Orgulho, mas que “o desafio dessa contradição tem sido uma luta da minha própria vida pessoal por 40 anos”.
“Certamente não estou sozinha nisso”, acrescentou.
Os organizadores de Seattle veem os holofotes como uma plataforma para promover a aceitação.
“A celebração do Orgulho acontece neste fim de semana há mais de 50 anos”, disse Hedda McLendon, do comitê organizador local da Copa do Mundo de Seattle, à Reuters no início desta semana.
“Vai acontecer neste fim de semana, muito depois da Copa do Mundo.”
Esporte / Folha de São Paulo



