Filipe Bragança, de Coração Acelerado: “Não me vejo como um galã”

Em 2024, Filipe Bragança (25) despontou como uma das novas apostas da TV Globo. “Espero que eu seja, me sinto preparado para isso”, disse o ator, na época, em entrevista exclusiva à CARAS. E o tempo provou que ele realmente estava pronto. Protagonista de Coração Acelerado, trama global das 7, o artista vive um dos maiores desafios da carreira. E faz bonito: ele atua, dança e canta para multidões. “Vieram muitas coisas boas, bons papéis e estou orgulhoso do trabalho que eu estou realizando até aqui. Acho que sigo sendo não só uma aposta deles, mas uma grande aposta para mim mesmo”, diz ele, que no folhetim interpreta o cantor sertanejo João Raul.
Mergulhado na atuação desde os 5 anos de idade, o artista não encara o protagonismo em uma novela como o topo. “Já é tanto tempo de estrada que, às vezes, é até difícil reconhecer esse tempo e o quanto já trabalhei até hoje. Mas sou novo. Se a gente está falando de escalar uma montanha, ainda estou bem lá embaixo. Quero continuar escalando com toda a minha força e ambição”, fala ele, que mantém os pés no chão — Filipe acredita que ainda tem muita estrada pela frente, mas reconhece a importância da oportunidade que conquistou na produção. “Não é qualquer protagonista de novela, não é qualquer mocinho, é um personagem complexo, com cenas dramáticas e muito desafiadoras, nas quais tenho que cantar, tocar instrumentos. São desafios que eu vou levar para a minha vida inteira. Momentos memoráveis, situações que não é qualquer protagonista de novela que ofereceria. É um personagem especial”, afirma o ator.
Vivências de um cantor
Com experiência em musicais e até em trabalhos no audiovisual — ele deu vida a Sidney Magal (75) no filme Meu Sangue Ferve por Você —, Filipe, agora, se aventura pelo sertanejo, gênero pelo qual se apaixonou e que lhe rendeu experiências únicas, como cantar para 30 mil pessoas no Festival Caldas Country. “Senti um frio na espinha quando essa oportunidade surgiu, mas agarrei com unhas e dentes. A graça da minha profissão é me perceber em situações inusitadas como essa. São experiências que vou me lembrar quando estiver velhinho, momentos muito especiais que a novela vem me proporcionando”, disse o ator, que registra todas essas histórias inusitadas em um diário.
Uma delas foi quando cantou ao lado da dupla Maiara e Maraisa (38). “Nunca pensei que estaria num estúdio gravando com essas duas e muito menos que elas falariam que eu canto bem e tenho que virar cantor sertanejo (risos)! É tudo muito inusitado e, por isso, é tão divertido. Tenho certeza de que o próximo projeto que surgir vai ser tão inusitado quanto e eu vou me perceber descobrindo um novo mundo. A parte mais empolgante da profissão para mim é o fato de eu poder sempre descobrir novos universos, novas perspectivas, novas realidades. O maior privilégio da profissão é poder satisfazer a minha curiosidade inerente, que pertence a mim, eu sou um cara muito curioso”, conta o artista.

Carreira musical
Ao ser questionado se pensa em investir na carreira de cantor, ele é rápido e diz que essa é uma pergunta que tem escutado com frequência. “Sinal de que não seria uma vergonha alheia, né (risos)?”, diverte-se. “Tenho uma vivência musical bastante extensa e complexa, já que toco violão, piano, gaita… tenho alguns instrumentos no meu arsenal. Eu canto há muitos anos, vale inclusive deixar aqui o destaque para Amélia Gomes, que é a minha professora de canto. Trabalho com ela desde os 15 anos e foi por causa dela que consegui desenvolver o canto para o musical Les Misérables, que me fez ganhar o Prêmio Bibi Ferreira de Melhor Ator Revelação, em 2017. Eu sou muito apaixonado por música e sou um artista que tenho, sim, em algum momento, esse objetivo”, admite ele, sem descartar a ideia. “Tenho o desejo de me expressar musicalmente de alguma forma, mas para isso preciso encontrar uma maneira muito autêntica. Não sei como seria uma carreira musical, como seria um álbum meu, nem que gênero seria. Mas acredito que no futuro eu possa encontrar um caminho, uma expressão musical autêntica o suficiente. E quando isso acontecer, quem sabe eu possa aproveitar esse meu outro lado, mas não é agora, porque eu também sou muito exigente. Eu só faria se eu tivesse justamente essa expressão que mencionei e até lá tenho muito trabalho como ator”, analisa.

De volta às raízes
Natural de Goiânia, mas morando em São Paulo desde os 12 anos, Filipe não só se reaproximou do universo sertanejo com esse trabalho, como voltou para suas raízes. “Fazia muito tempo que eu não ia para lá, porque estava sempre trabalhando e recebia visita da minha família em São Paulo. A novela me permitiu não só retornar às minhas raízes, como revisitar as minhas memórias de infância. Tive momentos muito emocionantes durante a preparação do personagem, voltei para o condomínio onde cresci, os lugares que eu frequentava… Tive a certeza de que eu estava exatamente onde devia estar. Eu percebi que estava ali porque eu precisava voltar, precisava me reconectar com essas raízes”, acredita ele.

Mozão do Brasil
Conhecido como Mozão do Brasil na trama, o artista conta que o apelido ganhou as ruas e acha graça quando o chamam dessa forma. “Ninguém nunca me chamou de João Raul até hoje, só de Mozão. Eu adoro! É quase o nome do alter ego, o super-herói, uma identidade secreta. É a primeira vez que eu tenho essa noção de uma notoriedade grande assim, é meu primeiro protagonista, e faz diferença. Andando nas ruas as pessoas reconhecem mesmo”, avalia.

Rótulo de galã
Apesar de amar receber o retorno do público, Filipe ainda gosta de manter sua vida pessoal mais reservada. “O que interessa mesmo, como eu quero ser lembrado, é pela minha carreira e pelo meu trabalho como ator”, diz ele, sem se apegar ao título de galã. “Não me vejo como galã, porque eu acho que o ator não tem que tomar esse posto de galã para si, porque não é. Eu sou um ator e estou interpretando um personagem que narrativamente talvez seja um galã. O galã é isso, é um termo narrativo para um tipo de personagem. E nada mais que isso. Um ator não é um galã, um personagem talvez seja. Quero interpretar muitos tipos de personagens, não só os galãs, quero os cômicos também, vilões, todos os tipos. Não me prendo a isso porque não é o que eu sou”, explica.

Exposição
O destaque, é claro, coloca não apenas seu trabalho em evidência, mas também a vida pessoal, mas Filipe encara de forma tranquila. “A gente precisa estar bem resolvido, precisa ter uma maturidade emocional para lidar com isso. Eu faço minha terapia, o que me ajuda muito. Não só em relação a essa percepção pública da minha imagem, mas principalmente na minha vida pessoal, na minha intimidade. A gente precisa encontrar maneiras de estar bem e saudável”, acredita. “O mais importante é ter muita certeza do tipo de carreira que se quer construir, do tipo de personagem que se quer interpretar, para que a gente possa ter uma carreira longeva. Porque isso faz parte, a nossa imagem em geral vai estar sempre exposta e a gente vai sempre receber esse tipo de atenção do público. E, é claro, eu gosto, o público é absolutamente necessário para o sucesso de qualquer obra, eu preciso dele. Mas, ao mesmo tempo, eu preciso ter muita clareza do trabalho que eu realizo e de quem eu sou, para que eu possa nem me deslumbrar, nem me frustrar ou me decepcionar diante do que as pessoas possam dizer a meu respeito”, afirma.

Um novo amor
Apesar de discreto, recentemente ele virou notícia por conta do relacionamento com a colega de elenco Ramille (28). “A gente está se conhecendo. Eu tenho uma admiração enorme pela Ramille, ela é uma grande atriz, é uma pessoa extraordinária. A gente está vivendo essa experiência, sobretudo diante das circunstâncias muito favoráveis, já que a gente está trabalhando junto e pode dividir a experiência maravilhosa que é essa novela. O futuro vai dizer o que vai acontecer”, declara ele, sem dar mais detalhes.

Em 2024, na mesma entrevista citada no início desta matéria, o goiano disse que estava solteiro porque deixava sempre o lado racional falar mais alto. Agora, ele parece ter encontrado um equilíbrio. “Desde que o processo da novela começou, eu nunca trabalhei tanto. Protagonismo em novela é um volume grande, uma demanda cansativa. Então, eu estava sendo tão exigido que eu desarmei todo o resto. Eu só me concentrei no trabalho e o resto meio que foi acontecendo sem que eu tivesse muito controle, o que às vezes é bom. É bom quando a gente desarma, quando a gente se permite e permite que as pessoas entrem na nossa vida e que as experiências aconteçam com um pouco mais de naturalidade, sem pensar tanto. Essa relação com ela talvez seja fruto desse meu momento de vida. Eu estou superfeliz”, afirma.

Nas telonas
E motivos para comemorar não faltam. Além da novela, este ano ele estreia o filme 100 Dias, inspirado no livro Cem Dias Entre Céu e Mar, no qual interpreta o navegante e escritor Amyr Klink (70), a primeira pessoa a fazer a travessia solitária do Atlântico Sul a remo, em 1984. “É um projeto muito importante para mim. Um filme com uma pós-produção complexa e internacional. Acredito que vai ser muito marcante na história do cinema brasileiro, porque é um filme único, especial, ambicioso e que trata de uma história que é absolutamente fascinante, a história de coragem e desafio do Amyr Klink. Ele atravessou o Oceano Atlântico remando, foram 100 dias no mar. É uma loucura! Mais uma vez, um personagem muito especial que tive o privilégio, a sorte e a honra de interpretar”, celebra o artista, que perdeu 10 kg para o papel e aprendeu a remar. “Foi a preparação mais completa que já vivi e tive que interpretar um personagem que domina praticamente 80% do filme sozinho. Foi um processo complexo, mas eu não estava sozinho, estava com o nosso diretor Carlos Saldanha e toda a equipe que realizou esse processo com muita paixão. Estou muito ansioso para assistir, porque tenho certeza de que vai emocionar muita gente. E é bom porque vai vir logo depois do João Raul, dois trabalhos completamente diferentes”, afirma.
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