Esporte

Grupo de direitos humanos planeja denúncia ao COI contra Infantino por causa de Donald Trump

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, pode enfrentar uma investigação do COI (Comitê Olímpico Internacional) após um grupo de direitos humanos anunciar nesta quarta-feira (8) planos de apresentar uma denúncia alegando que ele violou regras de neutralidade política por meio de seu apoio ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O grupo de direitos humanos FairSquare disse que apresentará a denúncia ao COI sobre a “violação repetida das regras de neutralidade política” por Infantino, escalando uma disputa que já os levou a questionar os próprios processos de ética da Fifa.

Infantino é membro do COI desde 2020.

A FairSquare havia apresentado uma denúncia ao Comitê de Ética da Fifa em dezembro de 2025, citando múltiplas ocasiões em que Infantino “expressou publicamente seu apoio às ações e políticas” de Trump.

“Também solicita que o Comitê de Ética investigue o papel do sr. Infantino na decisão de criar um Prêmio da Paz da Fifa, na decisão de concedê-lo ao presidente Trump… E a conformidade desses processos com as regras procedimentais da Fifa”, disse a FairSquare.

A Reuters entrou em contato com a Fifa para comentários.

Dever de neutralidade

A denúncia da FairSquare afirma que Infantino violou o artigo 15 do Código de Ética da Fifa, que trata do dever de neutralidade.

Pessoas vinculadas ao código devem permanecer politicamente neutras em relações oficiais, com violações puníveis com multa de pelo menos 10 mil francos suíços (R$ 63.574) e até dois anos de banimento de qualquer atividade relacionada ao futebol.

A denúncia também solicita que o Comitê de Ética investigue se as decisões de criar um Prêmio da Paz anual e depois concedê-lo a Trump no sorteio da Copa do Mundo foram tomadas pelo Conselho da Fifa ou unilateralmente pelo próprio Infantino.

“Se o sr. Infantino agiu unilateralmente e sem qualquer autoridade estatutária, isso deve ser considerado um abuso de poder flagrante”, disse a FairSquare.

COI ‘analisaria’ denúncia

A presidente do COI, Kirsty Coventry, disse na terça-feira (7) que nenhuma denúncia havia sido recebida para ser considerada pela comissão de ética, mas acrescentou: “Obviamente, se receberem, eles analisarão”.

Embora a Secretaria da Câmara de Investigação da Fifa tenha confirmado o recebimento da denúncia em dezembro, o órgão máximo do futebol mundial não deu “nenhuma indicação” de que uma investigação tenha sido iniciada, disse a FairSquare.

Em uma carta vista pela Reuters, a Fifa disse à FairSquare que sua secretaria pode iniciar investigações preliminares sobre uma “potencial violação do Código de Ética da Fifa” por instruções do presidente da Câmara de Investigação.

Mas apresentar uma denúncia não garante que procedimentos éticos serão abertos, enquanto os denunciantes não são partes nos procedimentos, sem atualizações ou informações adicionais disponíveis devido à confidencialidade.

A FairSquare lançou uma campanha pública voltada para uma reforma séria da Fifa intitulada “Reboot” uma semana antes do início da Copa do Mundo.

Na semana passada, a FairSquare disse que 50 membros do Parlamento Europeu escreveram ao Comitê de Ética da Fifa expressando apoio à denúncia contra Infantino.

A Federação Norueguesa de Futebol também apoiou formalmente uma denúncia oficial, pedindo ao comitê que avalie se Infantino violou os estatutos do órgão dirigente em relação à neutralidade política por meio da concessão do Prêmio da Paz e ações relacionadas.

Mais recentemente, durante a Copa do Mundo, a Fifa suspendeu a punição de cartão vermelho do atacante americano Folarin Balogun e o liberou para jogar nas oitavas de final contra a Bélgica, que os EUA perderam por 4 a 1, depois que Trump pessoalmente pediu a Infantino que revisasse o caso.

No entanto, Infantino negou ter se envolvido na decisão final.


Esporte / Folha de São Paulo

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo