Flávio fala de crise no STF em propaganda eleitoral com vídeo em formato de ‘pronunciamento’

Candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL) usou a propaganda eleitoral exibida nesta terça-feira (15) para tratar da crise no STF (Supremo Tribunal Federal) envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. O vídeo vai ao ar no mesmo dia em que a corte debateu o futuro do ministro em sessão inédita.
Gravado no formato que remete a um pronunciamento oficial da Presidência da República, o vídeo mostra Flávio dizendo interromper a campanha diante da “gravidade do momento” do país. Ele afirma que o governo atual criou um desequilíbrio institucional ao decidir governar ao lado de uma parte do STF que, segundo ele, descumpriu a lei.
A sessão desta terça discutiu relatório da Polícia Federal sobre diálogos entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O documento foi pedido pelo ministro André Mendonça e pode levar à abertura de uma investigação sobre a conduta de Moraes, o que nunca ocorreu no STF.
O próprio Flávio também é alvo de investigação ligada a Vorcaro. Documentos da PF e da PGR (Procuradoria-Geral da República) apontam o senador como interlocutor direto do ex-banqueiro na negociação de recursos para o filme “Dark Horse”, sobre a vida de seu pai, Jair Bolsonaro. Segundo a PF, Eduardo Bolsonaro atuaria como gestor do dinheiro levantado para a produção.
No vídeo desta terça, Flávio cita diretamente “o escândalo do Alexandre de Moraes” e diz que o resultado da divisão de poder entre governo e STF foi um Brasil “sem presidente, sem comando”.
Ele afirma, porém, que a insegurança e o endividamento das famílias são problemas mais graves. Em seguida, apresenta três promessas. A primeira é classificar o PCC, o Comando Vermelho e as milícias como organizações narcoterroristas. A segunda é reduzir juros e dívida pública. A terceira é não concorrer à reeleição, compromisso que ele associa a um projeto de lei que diz já ter apresentado sobre o tema.
Flávio também diz que sofre acusações na reta final da campanha e diz que a população foi “iludida por uma picanha que nunca chegou” sob o governo atual. O vídeo termina com apelo religioso, encerrado pela frase “Deus nos abençoe, o Brasil vai vencer”.
No STF, a sessão desta terça terminou sem definição diante de pedido de vista do ministro Flávio Dino.
Durante a sessão, Moraes chamou o relatório policial de “farsa” e disse haver “motivação político-eleitoral dessas criminosas mentiras” por trás do documento. Ele afirmou ainda que o material não foi produzido integralmente pela PF, mas com auxílio de um órgão externo, “provavelmente estrangeiro”, numa “clara tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026”.
Moraes foi relator dos processos dos atos de 8 de janeiro de 2023 e votou pela condenação de réus envolvidos nos ataques, incluindo o próprio Bolsonaro.
Folha de São Paulo


