GCM de SP é treinada para atender casos de parada cardíaca – 26/07/2026 – Equilíbrio e Saúde

A Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo) e a Prefeitura de São Paulo firmaram uma parceria para que agentes da GCM (Guarda Civil Municipal) atuem no auxílio a emergências cardíacas em via pública.
O termo de cooperação técnica foi assinado em fevereiro, e o treinamento dos guardas começou em seguida. A meta é capacitar todos os 7.500 agentes que atuam na capital paulista para que possam realizar manobras de RCP (ressuscitação cardiopulmonar) e utilizar o DEA (Desfibrilador Externo Automático).
O objetivo é torná-los aptos a prestar o primeiro atendimento a vítimas de parada cardiorrespiratória até a chegada do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).
Estudos indicam que aproximadamente metade das pessoas com menos de 60 anos que sofre uma parada pode morrer na primeira hora após o evento, em especial quando há demora no atendimento pré-hospitalar.
O cardiologista Agnaldo Piscopo, diretor do Centro de Treinamento da Socesp, afirma que o uso precoce do DEA aumenta em até cinco vezes a chance de sobrevida.
“Se o guarda municipal que faz o policiamento preventivo identificar uma parada cardiorrespiratória, está treinado para iniciar as compressões e usar o desfibrilador. O choque é indicado em quase metade dos casos”, explica. “Cada minuto de atraso na desfibrilação reduz em cerca de 10% a probabilidade de sobrevivência. Em dez minutos, é praticamente zero.”
A Socesp afirma ter treinado 900 dos 7.500 GCMs em operação na cidade de São Paulo. No último dia 17, a reportagem acompanhou uma sessão de capacitação no Centro de Treinamento da Socesp.
Além da ressuscitação cardiopulmonar, os funcionários aprendem a manusear o DEA. O aparelho emite comandos de voz que orientam o socorrista passo a passo, analisando o ritmo cardíaco do paciente para indicar a necessidade de choque elétrico. A função do dispositivo, que pode ser usado por qualquer pessoa que saiba manejá-lo, é retomar o ritmo normal dos batimentos cardíacos.
Cerca de 40 viaturas da GCM receberam o desfibrilador em caráter temporário, e os veículos foram identificados com um adesivo. Os guardas habilitados também podem ser reconhecidos por meio uma etiqueta autocolante na farda onde se lê RCP/DEA – guardião do coração.
O kit de suporte do desfibrilador inclui toalha (para secar a vítima, se necessário), pás adesivas e barbeador (para remoção de pelos que possam impedir a fixação das pás). Conta também com uma ficha de identificação para registro da ocorrência, que depois deve ser enviada para a Sociedade de Cardiologia para a elaboração de estatísticas.
A ação foi iniciada na região da avenida Paulista, na região central de São Paulo, onde acontecem de 60 a 130 paradas cardiorrespiratórias por ano, conforme estimativa da entidade. A iniciativa também já chegou à praça da Sé, no centro, e a expectativa é expandir o serviço para toda a capital paulista. Parques municipais e o bairro do Brás serão os próximos pontos de atenção.
A presença de desfibriladores em viaturas de segurança, associada ao treinamento adequado dos agentes, é considerada uma estratégia comprovadamente eficaz para reduzir a mortalidade por parada cardiorrespiratória extra-hospitalar.
“É de suma importância ampliar nosso trabalho para este tipo de atendimento, ainda mais numa cidade como São Paulo, em que situações desse tipo podem ser constantes. Também é importante dar continuidade no processo para haver assistência em toda a cidade, inclusive nas periferias“, diz o subinspetor da GCM Rinaldo Luiz de Lima.
De acordo com a SMSU (Secretaria Municipal de Segurança Urbana), a capacitação faz parte da política de atualização permanente da Guarda Civil, que tem ampliado a formação dos agentes para diferentes tipos de atendimento à população.
A reportagem perguntou à pasta sobre eventual compra de DEAs para dar continuidade ao trabalho, mas os questionamentos não foram respondidos até a publicação deste texto.
Informação
Folha de São Paulo



