Governador da Bahia é vaiado no desfile de 2 de Julho e acende alerta para o PT

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), foi alvo de vaias e protestos nesta quarta-feira, 2, durante o tradicional desfile cívico da Independência do Brasil na Bahia, em Salvador. O episódio ocorreu em um dos eventos mais simbólicos do calendário político baiano, que reúne anualmente autoridades, movimentos sociais e milhares de pessoas nas ruas da capital.
Em um dos momentos registrados em vídeo, uma mulher se aproxima do governador e afirma: “Seu sorriso vai acabar. Em outubro, você vai vazar, governador.” Jerônimo afasta a mulher e segue o percurso acompanhado por apoiadores e por sua equipe de segurança.
Jerônimo Rodrigues (PT) empurrou uma mulher após ela abordá-lo e dizer: “Seu sorriso vai acabar. Em outubro, você vai vazar, governador.”
Acabou o amor do povo da Bahia pelo PT? pic.twitter.com/m3kTiQmPi6
— Pri (@Pri_usabr1) July 2, 2026
O cortejo também foi marcado pela polarização entre os dois principais nomes da disputa pelo governo da Bahia em 2026. Jerônimo, que buscará a reeleição, terá como principal adversário o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), herdeiro político do grupo liderado por seu avô, Antônio Carlos Magalhães.
ACM Neto também foi recebido com vaias ao chegar ao desfile. Questionado sobre as manifestações, minimizou o episódio. “Aplausos, vaias… isso tudo faz parte da beleza da democracia”, afirmou em entrevista coletiva. “A gente já está adaptado.”
A manifestação contra Jerônimo ocorre em um momento de crescente tensão política no estado. Governada pelo PT desde 2007, a Bahia é um dos principais redutos eleitorais do partido e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que venceu a eleição presidencial de 2022 com 72,11% dos votos válidos no estado e conquistou a maioria em cerca de 90% dos municípios baianos. Na mesma eleição, Jerônimo Rodrigues foi eleito governador no primeiro turno, com 52,79% dos votos válidos.
Ausência de Lula no cortejo
A ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou atenção nos bastidores do PT. Desde a campanha presidencial de 2022, o petista transformou o desfile do 2 de Julho em uma das principais agendas políticas do calendário baiano, participando anualmente das comemorações da Independência da Bahia. Neste ano, porém, Lula optou por não acompanhar o cortejo em Salvador e manteve compromissos no interior do estado apenas no dia 1o de julho.
Segundo interlocutores do partido ouvidos pela VEJA, a mudança de agenda ocorre em meio ao esforço da pré-campanha presidencial para reduzir a exposição pública de Lula ao senador Jaques Wagner (PT-BA), um de seus principais aliados históricos. O ex-governador da Bahia deixou recentemente a liderança do governo no Senado após ter seu nome citado nas investigações da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Apesar desse movimento, Lula esteve ao lado de Wagner na quarta-feira, durante agenda em Alagoinhas, no interior baiano. No discurso, voltou a chamá-lo de “irmão”, gesto que provocou incômodo entre integrantes do partido e da equipe responsável pela estratégia eleitoral de 2026, segundo relatos de dirigentes petistas.
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